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domingo, 3 de março de 2013

Opinião: "As Aventuras de Agamenon, o Repórter"

Avaliação:

Título original: As Aventuras de Agamenon, o Repórter
Gênero: Comédia
Ano de lançamento:2012
Direção:  Victor Lopes
Elenco: Hubert
            Luana Piovani
            Marcelo Adnet
            Marcelo Madureira

      "As Aventuras de Agamenon, o Repórter" é, com toda a certeza, o pior filme brasileiro que já assisti. Sei que não começo meus comentários assim, direto ao ponto, mas não tive ainda a honra de assistir algo pior feito em nosso país. O filme conta a história de Agamenon Mendes Pedreira, repórter do jornal "O Globo" que... Bem... Qual é o roteiro? Deixa eu ver se consigo extrair alguma coisa daqui... Agamenon, inicialmente interpretado por Marcelo Adnet é repórter, vai à guerra e sofre graves deformações, passando a ser interpretado por Hubert, do Casseta & Planeta. Depois disso, e antes também, é uma sucessão de piadas infames e situações vergonhosas. E é isso. Sem início convincente, sem rumo, sem um caminho a seguir.
      O filme utiliza de uma narrativa em forma de falso documentário para dar um ar de realismo. Algumas cenas são gravadas como em "Forrest Gump", onde o protagonista participa de importantes momentos na História. O documentário é apresentado por Pedro Bial em uma de suas participações mais vergonhosas em frente às câmeras (sim, superou Big Brother). A "história" do protagonista é narrada por uma das maiores atrizes nacionais de todos os tempos: Fernanda Montenegro, emprestando sua importante voz a esse projeto infame.
      No desenrolar da "história", há personagens importantes da história brasileira fazendo declarações sobre Agamenon. Mais inacreditáveis do que os dois artistas citados acima são as participações especiais de, acreditem, Fernando Henrique Cardoso e Paulo Coelho. Difícil acreditar que tais pessoas tenham lido o "roteiro" e aceitado participar desse desastre. Por mais que o cachê fosse bom, não valeria à pena manchar a sua reputação com um projeto tão infame.
      Há um sem-número de piadas sem graça, tiradas escatológicas ridículas, nomes de personagens com duplo sentido e trocadilhos vindos da década de 1990, quando o Casseta & Planeta era uma novidade. O público consumidor de humor no Brasil mudou, ficou mais exigente, e o programa de Marcelo Madureira e cia. não acompanhou essa evolução. Deveriam se espelhar na ótima turma do "Porta Dos Fundos", que faz vídeos realmente engraçados sem utilizar piadas batidas do século passado ou nomes de pessoas como Jacinto Leite Aquino Rego...
      Além das piadas sem graça, há ainda a falta de bom senso. O filme é capaz de fazer piada com a morte da princesa Diana, com os atentados de 11 de setembro de 2001 e com o terrível tsunami que assolou a Indonésia no final de 2004. Tudo isso sem um pingo de remorso ou consideração com quem sofreu tais tragédias. Sei que há o humor negro, mas esse humor utilizado no filme passa muito longe disso. Isso sem citar as importantes figuras históricas já falecidas que têm suas imagens vinculadas ao filme de maneira vergonhosa, como Albert Einstein, Sigmund Freud, Mahatma Gandhi e Orson Welles. Demonstram tanto conhecimento de cinema que mostram esse último personagem dizendo apenas uma palavra várias vezes: Rosebud, a palavra-chave de "Cidadão Kane", como se fosse a única coisa memorável dessa obra magnífica.
      Por fim, "Agamenon" é uma terrível perda de tempo. Sua curtíssima duração passa como se fossem quatro horas de filme, tamanha sua ridicularia. É extremamente cansativo. Se você está procurando uma comédia engraçada, não é aqui que vai encontrar. Não faço uso de bebidas alcoólicas, mas tenho ressaca, sim, no dia seguinte à assistir uma temeridade dessas.



quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Opinião: "Jogando com Prazer"

Avaliação:

Título original: Spread
Gênero: Comédia, romance
Ano de lançamento: 2009
Direção: David MacKenzie
Elenco: Ashton Kutcher
             Anne Heche
             Margarita Levieva

       Ashton Kutcher é reconhecido geralmente por fazer caras e bocas em seus filmes e mais recentemente na série "Two And a Half Men", a qual passou a protagonizar após a saída de Charlie Sheen. Mas em sua participação em "Jogando com Prazer", fraquíssimo filme de 2009 dirigido por David MacKenzie, ele não se esforça nem para fazer isso. O roteiro conta a história de Nikki (Kutcher), um bon vivant que leva uma vida de luxo concedendo prazer a mulheres ricas de meia-idade em troca de um lugar confortável para morar. Sua vítima da vez é Samantha (Anne Heche), uma rica e solitária advogada. Até que ele conhece Heather (Margarita Levieva), uma bela garçonete que logo se mostra jogar o mesmo jogo de sedução que ele.
      Sem tentar se esforçar em fazer algo diferente do habitual, o diretor David MacKenzie opta por uma condução segura, trilhando por caminhos já percorridos em inúmeras comédias românticas comuns. Mas o diferencial de "Jogando com Prazer" é que, ao contrário da maioria dos filmes do gênero, esse não tem uma história no mínimo envolvente ou engraçada, personagens carismáticos ou um romance plausível. A comédia inicialmente prometida é praticamente esquecida, aparecendo somente em uma cena inspirada, onde Nikki finge estar falando ao telefone quando ele subitamente toca. As cenas de sexo, incomuns para o gênero, após um certo tempo tornam-se cansativas, como se os personagens vivessem apenas para isso.
      A trama é chata, absurdamente lenta. Os 98 minutos de duração parecem uma eternidade. Após um certo período, o filme não tem mais para onde ir, principalmente após o terceiro ato. A personagem de Anne Heche, importante no início, simplesmente some. O fraco roteiro torna os personagens vazios, o que contribui para enfraquecer ainda mais as atuações. Kutcher, como já mencionado, não faz nem suas habituais gracinhas, atuando no piloto automático.
      Pode-se considerar "Jogando com Prazer" um mais um filme descartável na carreira de Ashton Kutcher, com a exceção de que esse não serviu nem para encher ainda mais seus cofres, já que teve uma fraca recepção. Se você tiver tido estômago para assistir ao longa até o final, certamente perderá o apetite após ver o que a última cena o reserva. É algo que encerra com chave de ouro (ou não) essa perda de tempo cinematográfica.



terça-feira, 17 de julho de 2012

Opinião: "Hitman - Assassino 47"

Avaliação:

Título original: Hitman
Gênero: Ação
Ano de lançamento: 2007
Direção: Xavier Gens
Elenco: Timothy Olyphant
            Dougray Scott
            Olga Kurylenko
 
      As adaptações de jogos para o cinema começaram em 1993, com o lançamento “Super Mario Bros.”. A partir de então, muitos filmes foram lançados, mas foram poucos os que agradaram o público e a crítica. Desde obras medianas, como “Tomb Raider” e os primeiros "Resident Evil", até bombas como “Street Fighter” (os dois), ”Bloodrayne”, “Doom”, os últimos “Resident Evil”, etc. Falando de bomba, “Hitman” não foge muito disso. Lançado em 2007, é mais um para a extensa lista de filmes ruins provenientes de jogos.
      O longa conta a história de um grupo de assassinos treinados desde criança para serem os melhores no que fazem, sem ter o mínimo de compaixão ou sentimentos. Suas missões lhes são dadas através de um sistema de computador, sem nenhum contato direto com pessoas. É quando somos apresentados ao assassino 47 (Timothy Olyphant), que tem a missão de matar o presidente russo Mikhail Belicoff (Ulrich Thomsen).
      Após cumprir sua missão, o nº 47 se vê perseguido por assassinos como ele por não executar seu trabalho corretamente, já que Belicoff aparece vivo em seguida. Ele entra então em uma trama política internacional, e passa a proteger a prostituta Nika (Olga Kurylenko), também perseguida pelo presidente russo. No encalço de 47 está o agente da Interpol Mike Wittier (Dougray Scott), que o caça por todo o planeta há anos.
      Partindo de uma premissa que lembra a série Bourne, Hitman passa há anos-luz desse. Os créditos iniciais são bons, onde somos apresentados à origem dos assassinos e seu duro treinamento, mas surge preguiçoso, nos fazendo engolir aquilo rapidamente para pular direto para a ação descerebrada do resto do longa. O roteiro é mínimo, se acomodando em apenas fazer seu protagonista fugir o tempo todo, matando quem se atravessa em seu caminho.
      As atuações são rasas. Olyphant convence em alguns momentos como assassino, mas por vezes parece estar segurando o riso, reduzindo o impacto de suas ações. Olga Kurylenko funciona bem como interesse romântico do agente 47, mesmo que eles não troquem um beijo sequer. Por sua vez, Dougray Scott no papel do agente da Interpol faz uma atuação correta, sem altos e baixos. Mas Robert Knepper, que interpreta Yuri Marklov, e Ulrich Thomsen, como o presidente russo, são dispensáveis, agindo como personagens batidos, já vistos inúmeras vezes em filmes do gênero.
      Os vilões são completamente estereotipados, caricatos, como se tivessem saído dos anos 80. O roteiro ainda passa a mensagem dos tempos da Guerra Fria, tratando os soldados russos como totais incompetentes e os líderes como ditadores sanguinários, sendo os americanos os libertadores do mundo.
      O personagem principal passa o filme todo distribuindo tiros por onde passa. Mesmo sendo um assassino frio e sem emoções, rigorosamente treinado, é difícil aceitar que seja capaz de matar tanta gente de uma só vez sem sofrer um arranhão sequer. Durante as cenas de ação, o nº 47 sempre enfrenta seus adversários com a mesma frieza, sem parecer estar em perigo iminente, tirando o impacto das cenas.
      O filme parece, em alguns momentos, que foi feito às pressas. As cenas de ação são comuns para qualquer filme do gênero. Os diálogos são fraquíssimos, servindo apenas como pano de fundo para os tiroteios e perseguições. Sem contar os furos do roteiro. Se o nº 47 recebe as missões pelo sistema de computador por áudio, por que a mesma coisa que está sendo falada aparece escrita no computador? Seria para garantir que o assassino receberia a missão, sendo ele surdo, cego ou analfabeto? E como o protagonista chega à estação de trem com uma gravata vermelha, e depois enfrenta alguns oponentes trajando uma gravata azul? Mas o pior fica por conta do seu diálogo com Nika no carro. Em um determinado momento, ela quase chora pedindo para não morrer; logo em seguida, diz que não vale a pena viver passando tudo que ela passa na vida, e que ele deveria matá-la; mas instantes depois ela volta a ter os olhos marejados e novamente implora por sua vida.
      Mas “Hitman” tem um ponto forte: sua curta duração (89 minutos) nos permitindo sair do filme rapidamente. É uma aventura esquecível, como tantas outras jogadas no cinema todos os anos.