Título original: Year One
Gênero: Comédia
Ano de lançamento: 2009
Direção: Harold Ramis
Elenco: Jack Black Michael Cera Olivia Wilde Juno Temple
O filme tenta fazer graça com misturando períodos da história antiga,
misturando os caçadores-coletores que vivem em cabanas com as primeiras
civilizações e cidades, existentes nas passagens iniciais da bíblia,
incluindo aí Caim e Abel, Abraão e Isaque e, principalmente, Sodoma. Eu
disse tenta fazer graça porque, na imensa maioria das vezes, Ano Um não
consegue fazer rir.
Michael Cera, interpretando Oh, se limita a ser o nerd virgem, algo
comum em sua carreira, embora aqui seja impossível chama-lo de nerd,
logicamente. Já Jack Black, como Zed, se limita a fazer caretas e a se meter em
situações constrangedoras, como tentar descobrir a que animal pertence o
coco encontrado no chão. Situações constrangedoras, quando bem
utilizadas, são eficientes, como em Passe Livre, Débi e Lóide e tantos
outros, mas aqui são completamente sem graça.
Ano Um consegue ser
engraçado em alguns momentos, principalmente quando satiriza as
tradições bíblicas como o sacrifício e o Santo dos Santos, a sala onde
só o sumo sacerdote pode entrar para fazer o sacrifício a Deus. Mas no
restante do tempo somos bombardeados com humor físico de má qualidade e
muito humor escatológico desnecessário. Diverte um pouco, mas no geral é mais uma comédia descartável.
A franquia "Resident Evil" é livremente adaptada dos games. O
primeiro longa da série foi divertido, trazendo perseguições realmente
tensas e uma história razoavelmente envolvente. Nos filmes seguintes, no
entanto, a qualidade decaiu gradativamente, chegando ao seu pior
momento com "Resident Evil 4: O Recomeço".
Dirigido novamente por Paul W. S. Anderson, o filme começa com os clones de Alice invadindo a sede da Umbrella Corp. em Tóquio.
O líder da base, Albert Wesker, escapa, mas não sem antes injetar um
soro em Alice, tornando-a uma humana comum novamente. Alice parte então
em busca de Arcadia, lugar no Alasca onde estariam os humanos livres da
infecção do T-Virus. Ao chegar lá, ela se depara com um lugar
abandonado, e parte novamente em busca de sobreviventes, encontrando
novos aliados e inimigos pelo caminho.
O roteiro mais uma
vez é um mero pretexto para as cenas de ação. Nenhum personagem é
satisfatoriamente desenvolvido. Nem mesmo o reencontro entre dois irmãos
carrega alguma emoção. As atuações são nulas, completamente vazias, com
os personagens limitando-se a fazer caras feias nas cenas de tiroteio,
que por sinal são bastante exaustivas. Em nenhum momento tememos pela vida de qualquer protagonista, já que não chegamos a sentir empatia por nenhum personagem. Isso sem contar a unidimensionalidade do vilão, que simplesmente mata um subordinado ao ser desobedecido.
A direção de P. W. S. Anderson é problemática, limitada. O diretor contenta-se em criar um novo "Matrix",
criando incontáveis cenas em slow motion, o já desgastado bullet time e
as roupas pretas da protagonista. Até mesmo a cena em que Trinity pula
de uma janela atirando é recriada, mostrando a total falta de
criatividade do diretor.
As cenas de ação são extremamente
burocráticas, até cansativas pela repetição. Até mesmo os zumbis, que
deveriam ser os principais antagonistas, são deixados de lado,
aparecendo pouquíssimas vezes sem criar qualquer ameaça mais
consistente. O final aberto deixa espaço para uma nova continuação,
lançada em 2012, mas a decepção maior parte do fato que a franquia de
jogos é muito mais tensa e interessante do que os filmes de "Resident
Evil". A série mais famosa de jogos de terror merecia pelo menos um
filme à altura.
Baseado na obra literária de Robert E. Howard, o personagem Conan foi adaptado ao cinema em 1982, com um filme estrelado por um até então desconhecido Arnold Schwarzenegger. O longa teve um relativo sucesso, arrecadando o triplo de seus custos de produção e gerando uma continuação no ano seguinte. Depois disso, nunca mais se ouviu falar no bárbaro cimério sem camisa que destruía meio mundo com uma espada. Até 2011, quando foi lançado o remake "Conan, o Bárbaro", estrelado por Jason Momoa.
O longa já começa em uma batalha. Ali nasce Conan, com o parto sendo feito por seu pai Corin (Ron Perlman), e sua mãe morrendo logo em seguida. O garoto é criado pelo pai, líder da aldeia e mentor de seus treinamentos para se tornar um guerreiro. É aí que aparece Khalar Zym (Stephen Lang), que quer juntar peças de uma máscara que pode lhe dar poder absoluto para que ele possa ressuscitar sua esposa. Corin, que detém uma das peças, resiste a entregá-la a Khalar Zym, sendo assassinado após uma terrível tortura. Conan foge e passa a viver como um guerreiro solitário, em busca de vingança contra o assassino de seu pai.
Marcus Nispel é "especialista" em refilmagens. São dele os remakes de "O Massacre da Serra Elétrica" (2003) e "Sexta-Feira 13" (2009). Em "Conan", Nispel entrega uma obra irregular, com violência gratuita e uma roteiro nulo, quase inexistente. O fiapo de história é um pretexto para batalhas intermináveis que permeiam toda a duração do filme, o que torna a experiência cansativa. Os diálogos fraquíssimos entregam a fragilidade da película, anulando qualquer possibilidade de conflito psicológico ou o mínimo que seja de tridimensionalidade dos personagens. Tudo é muito estereotipado: temos o guerreiro incansável, a mocinha indefesa, o vilão que quer dominar o mundo.
A direção de Marcus Nispel é confusa. Tenta criar uma atmosfera épica, nunca convencendo como tal. O começo é até promissor, quando somos apresentados ao jovem Conan em seu treinamento na neve, mas em seguida se perde ao adotar um tom genérico de ação. As cenas são mal filmadas, variando do absurdo ao bizarro. Desde o parto no meio da guerra até as intermináveis lutas do imbatível personagem-título, tudo é muito exagerado, tornando-se cansativo do meio do filme em diante. É absurdo como Conan consegue fazer jorrar sangue de praticamente todos seus inimigos, até mesmo daqueles que usam pesadas armaduras ou que caem de costas em uma pedra.
A condução da história também é decepcionante. A falta de ritmo é gritante, comprometendo a condução da história. "Conan" não consegue se salvar nem mesmo no básico, suas cenas de ação, que são fracas e confusas. Dificilmente o herói é realmente ameaçado por seus adversários, por mais que estejam em maioria ou utilizem mais armas que ele. O romance entre Conan e Tamara é completamente descartável, podendo ser excluído da trama sem comprometê-la mais ainda. Mas o que mais decepciona é a condução dos personagens. Nunca tememos pelo destino deles, já que não conseguem nos passar emoção, surgindo completamente unidimensionais.
Tecnicamente falando, pouco se salva do novo Conan. Adotando uma estética suja, a fotografia cria um tom com poucas cores. Alguns cenários são bem compostos, exceto os que denunciam o uso de tela verde, soando completamente artificiais. Os efeitos especiais são ruins, assim como a direção de arte. Tudo parece ter sido tirado das séries de Hércules e Xena. A trilha sonora é chata, tornando-se esquecível momentos após a projeção.
As atuações são outro ponto negativo do longa. Jason Momoa não convence como o guerreiro cimério, criando trejeitos difíceis de engolir, como o olhar de baixo para cima e a voz forçadamente rouca. Stephen Lang pouco faz como Khalar Zym, praticamente repetindo suas várias atuações como vilão, sem conseguir soar no mínimo ameaçador ao herói. Rachel Nichols surge praticamente dispensável como o interesse romântico de Conan, entregando uma atuação razoável, praticamente no piloto automático. Já Rose McGowan cria Marique, a filha bruxa de Khalar Zym, como uma personagem exagerada, com maneirismos absurdos e inverossímeis.
Aliando (d)efeitos especiais fracos e direção confusa, "Conan, o Bárbaro" não convence como filme de ação, muito menos como filme épico. Poderia muito bem ter sido lançado diretamente em dvd, poupando os espectadores de pagarem mais caro perderem seu tempo assistindo no cinema. Mais um pro hall dos esquecíveis.
"Se Beber Não Case", ótima comédia de 2009, foi um grande sucesso de bilheteria, que alçou o diretor Todd Philips e o ator Zack Galifianakis ao estrelato.Os dois voltam a trabalhar juntos nesse "Um Parto de Viagem", acompanhados da presença ilustre de Robert Downey Jr. vivendo o auge de sua carreira como o Homem-de-Ferro e Sherlock Holmes. Tudo para dar certo, não? Não. O resultado é um filme mediano, que se torna até decepcionante se considerarmos a equipe citada acima.
Sabe aquela história de que duas cabeças pensam melhor do que uma? Não considere isso em roteiros de cinema. Quanto mais roteiristas envolvidos, maior a chance de a história se tornar uma colcha de retalhos. Cada um quer dar a sua ideia, por mais estapafúrdia que seja, e os outros se vêem na obrigação de aceitá-la, para ter argumentos de acrescentar sua ideia estapafúrdia logo em seguida. Provavelmente isso aconteceu nesse longa, que cria uma situação absurda em cima da outra para criar humor, conseguindo por poucas vezes.
É um típico road movie vazio, onde a viagem que permeia toda a história é utilizada como ponto de fuga para esconder os furos da trama. Peter Higman (Robert Downey Jr.)é um arquiteto bem-sucedido que precisa pegar um voo para acompanhar o nascimento de seu primeiro filho. Mas tudo começa a desandar quando ele conhece Ethan Tremblay (Zack Galifianakis), um aspirante a ator viciado em maconha que quer ir atrás de seus sonhos em Hollywood. Após uma série de confusões, Peter é expulso do avião e se vê obrigado a pegar carona com Ethan para voltar para casa, uma vez que fica proibido de entrar em qualquer avião e ainda por cima perde sua carteira.
O longa começa cumprindo bem seu papel como comédia. As piadas e situações do primeiro ato são hilárias, aumentando a expectativa para que com o decorrer do tempo a qualidade aumente. Mas "Um Parto de Viagem" não cumpre o que promete, e é a partir do segundo ato que a colcha de retalhos citada anteriormente é jogada na tela. Os personagens passam por situações embaraçosas, de vergonha alheia, uma após a outra. O ritmo, antes maravilhoso e empolgante, cai vertiginosamente, causando sono em algumas cenas. Por vezes as gags (situações cômicas) soam forçadas, tentando extrair risos de onde não há a mínima possibilidade de isso acontecer.
Robert Downey Jr. interpreta bem o papel do arquiteto forçado a pegar carona com um maluco desconhecido. E o menosprezo pela pessoa de Ethan é cada vez mais visível em seu rosto a cada burrada que esse comete. Zack Galifianakis não consegue soar no mínimo razoável na criação de seu personagem, uma vez que parece estar repetindo o sujeito que interpretou em "Se Beber Não Case", mantendo até a mesma barba cheia e cerrada.
Mas o maior erro é do diretor Todd Philips. Conduzindo uma história com pouca originalidade, Philips acaba por tornar a experiência maçante, por vezes monótona. Tenta repetir clichês do gênero como um capotamento após um cochilo ao volante ou a "dupla que não se suporta mas que começa a nutrir afeto um pelo outro sem qualquer motivo aparente". Apostando no politicamente incorreto por diversas vezes, como uma luta com um cadeirante ou o consumo de drogas, o diretor tenta causar impacto, mas acaba por gerar repulsa pelos absurdos consecutivos. Tendo um terceiro ato que visa amarrar o relacionamento entre Peter e Ethan, forçado apenas para terminar a história, o filme acaba se salvando um pouco graças à corrida dos dois para chegar a tempo do parto, após uma fuga da polícia mexicana.
O longa não é completamente descartável. Tem momentos realmente inspirados, principalmente no início. Mas ao tentar repetir o sucesso de seu primeiro filme grande, o diretor acaba por se perder justamente na tentativa daquilo que define um filme de comédia: fazer rir. Algo que voltaria a acontecer em "Se Beber Não Case 2".
Os anos 1980 foram o auge do cinema de terror. São dessa década "O Boneco Assassino", "A Hora do Pesadelo" e "Halloween", alguns exemplares de maior sucesso do gênero trash. Pegando carona nos sucessos da época, em 09 de maio de 1980 foi lançado um verdadeiro símbolo da categoria: "Sexta-Feira 13", dirigido por Sean S. Cunningham. Um dos maiores sucessos proporcionais de bilheteria, o longa custou 500 mil dólares e faturou incríveis 39 milhões, abrindo caminho para incontáveis continuações. Mas bilheteria alta não significa que o filme seja bom. É no mínimo assistível, pelo menos por curiosidade.
Vamos à história: em 1957, um garoto, Jason Vorhees, morre afogado no acampamento Crystal Lake. Um ano depois, os instrutores que deveriam estar cuidando dele são assassinados misteriosamente. Após esses tristes episódios, o acampamento é fechado e só volta a reabrir anos depois. Um grupo de jovens decide passar um final de semana em Crystal Lake, apesar de serem aconselhados do contrário pela população local. A partir daí os jovens começam a ser assassinados um a um, até que o assassino venha a se revelar para a última vítima.
Com um orçamento modesto, "Sexta-Feira 13" tem efeitos especiais aceitáveis para a época. As mortes são convincentes, não pelos atores, mas pela maquiagem. As atuações são um ponto fraco do longa. Os atores parecem estar funcionando no piloto automático, sem demonstrar empenho ou veracidade.
Outro ponto ruim do filme é a trilha sonora. Apesar de criar alguns pontos bem conduzidos, em alguns momentos percebemos a influência de outras trilhas, como de "Tubarão" ou "Psicose". Realmente decepcionante.
O roteiro é simples, sem reviravoltas. Mas o que realmente incomoda é o desenrolar da trama. Tudo é meio morno, com a história transcorrendo em um ritmo lento. Em momento algum tememos pelo destino dos personagens, o que é um mau indicador em qualquer filme. A trama não consegue que nos importemos com qualquer um deles, nos fazendo assitir àquilo tudo como se fosse um documentário bem chato.
Salvando um pouco o filme, o terceiro ato consegue se sobressair do resto das cenas. Quando somos apresentados ao assassino e às suas motivações é que o filme realmente parece estar caminhando para algum lugar. A luta da última sobrevivente com o serial killer é a única cena em que sentimos uma leve apreensão.
Parecendo bem mais longo do que realmente é, "Sexta-Feira 13" não consegue construir uma atmosfera de tensão aceitável, se perdendo em seu ritmo fraco e sem vigor. É inexplicável seu sucesso tão estrondoso com uma trama tão tola e previsível. Mesmo assim, tornou-se um filme cultuado por fãs em todo mundo, principalmente por suas continuações insossas estreladas por um assassino usando uma máscara de hóquei.
Título original: Vacancy
Gênero: Terror, suspense
Ano de lançamento: 2007
Direção: Nimród Antal
Elenco: Kate Backinsale Luke Wilson Frank Whaley
Não se engane pelo trailer. Temos Vagas promete algo que nunca cumpre: bons sustos e uma história razoável. No filme, David (Luke Wilson) e Amy (Kate Backinsale) voltam de uma festa por uma rodovia praticamente deserta, depois de o homem ter decidido pegar um "atalho". Após um problema no carro, eles param em um posto de gasolina abandonado (POR QUÊ???) e encontram um "mecânico" disposto a ajudar sem cobrar nada em troca. Após apenas alguns metros, o carro pifa de vez e eles se vêem obrigados a voltar a pé ao posto, procurando o suposto mecânico, que já não estava mais lá. Sem sinal no celular, decidem, então, passar a noite num hotel sem hóspedes, que tem um gerente um tanto quanto estranho. Depois de se acomodarem no quarto "Lua de Mel", David coloca algumas fitas no videocassete e descobre que esse hotel é mais perigoso do que eles imaginavam: pessoas foram assassinadas naqueles quartos, e filmadas por assassinos sádicos.
Agora, vamos às questões: primeiro: por que pegar um atalho por uma estrada que você não conhece? Segundo: se você está passando por uma rodovia que não conhece, e seu carro começa a apresentar barulhos estranhos, por que você procura um posto de gasolina abandonado, à noite, para que uma pessoa que você nunca viu mexa no seu carro sem cobrar nada? São esses absurdos que esse roteiro mínimo quer que acreditemos.
A primeira metade do filme é até interessante. A crise do casal soa convincente, graças à atuação de Kate Beckinsale, já que seu marido na trama não consegue muito mais do que umas caretas de dor. Mas depois disso, somos brindados com aquelas cenas onde falamos: "O que você vai fazer aí, imbecil?", "Sai daí, ele vai te matar!". É o cúmulo da paciência.
É o filme de estreia do diretor norte-americano Nimród Antal, que em seguida viria a dirigir o também fraco "Predadores". É uma direção básica, sem floreios, como um suspense qualquer.
Apesar de possuir boas cenas de ação e ter uma certa dose de
tensão, o filme não consegue segurar as pontas por seus curtos 85
minutos de duração. Quando um filme tão curto nos faz olhar para o
relógio e nos perguntarmos se falta muito, é porque nosso interesse nele
já morreu. Uma pena, pois o trailer é melhor que o filme. Esquecível.