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terça-feira, 9 de setembro de 2014

Opinião: "Dragon Ball Z: A Batalha dos Deuses"

Avaliação:
Título original: Doragon Bōru Zetto: Kami to Kami
Gênero: Ação, animação
Ano de lançamento: 2013
Direção: Masahiro Hosoda

      Dragon Ball marcou minha infância. A história de Goku e das sete esferas do Dragão me fascinava, e eu ocupava minhas tardes livres assistindo na Band ou lendo os mangás da série. Tinha bonecos, revistas, desenhava os personagens, enfim, era apaixonado pela animação responsável por abrir caminho para que outras séries japonesas entrassem no Brasil.
      Foi com imensa alegria, e principalmente nostalgia, que assisti ao Dragon Ball Z: Batalha dos Deuses. E posso dizer que fiquei satisfeito com o que vi. Tudo o que marcou a série está presente: Goku continua sendo o homem ingênuo que só pensa em lutar, mestre Kame continua tarado, as lutas são empolgantes.
      É uma pena, no entanto, que o filme acabe sendo infantil, principalmente nas motivações do vilão, Bills, que em um momento decide destruir a Terra porque comeram todo o pudim(!), e também em alguns diálogos e situações constrangedoras que não condizem com o histórico da série, como Vegeta deixando de lado seu orgulho e fazendo uma dancinha para acalmar o vilão. Outro ponto que deixa um pouco a desejar é a mistura da animação tradicional com computação gráfica, o que causa certo estranhamento.
      Mas, no resumo da obra, A Batalha dos Deuses é um bom filme de Dragon Ball, principalmente por causar o saudosismo esperado nos fãs mais antigos da série, no caso, eu também. E ouvir o tema original em japonês nos créditos finais é sensacional, e nos faz lembrar de bons tempos em que a maior preocupação era a lição de casa. 


 

sábado, 6 de setembro de 2014

Opinião: "Hércules"

Avaliação:
Título original:The Legend of Hercules
Gênero: Ação, aventura
Ano de lançamento: 2014
Direção: Renny Harlin
Elenco: Kellan Lutz
            Scott Adkins
           Johnathon Schaech

      Hércules é um exemplar de ação genérico. O roteiro peca na sua falta de originalidade, misturando elementos de Gladiador e 300. De Gladiador, podemos perceber a premissa principal: a tentativa de assassinato do protagonista, que sobrevive e é vendido como escravo para então se tornar lutador e retornar à sua terra natal (no caso, o Reino de Tirinto) e ter sua vingança. De 300, Hércules toma emprestado as cenas de ação em câmera lenta, a fotografia e a persistência dos lutadores em não usar camisas.       Outro ponto fraco fica a cargo dos vilões, completamente unidimensionais. O irmão de Hércules, por exemplo, é bem parecido fisicamente com Comodus, vilão principal de, adivinhem, Gladiador, copiando até mesmo seus trejeitos. Além disso, ele e seu pai parecem não possuir muita personalidade, se limitando a apenas dizerem frases de efeito e serem maus.
      Apesar de possuir efeitos especiais modestos para uma produção de 2014, como por exemplo o leão inverossímil do início e o chicote de raios da batalha final, as batalhas são, em boa parte, bem feitas e coreografadas.
      Em outras palavras, Hércules se limita a ser um filme de ação mediano, embora a trilha sonora tente transforma-lo em um épico. Diverte, principalmente nas lutas, mas não traz nada de novo ao cinema. Trata-se de mais um filme de comum de aventura, como tantos outros.


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Opinião: Caso 39

Avaliação:





Título original: Case 39
Gênero: Terror, suspense
Ano de lançamento: 2009
Direção: Christian Alvart
Elenco: Renée Zellweger
            Jodelle Ferland
            Ian McShane
            Bradley Cooper

      Em 2009, foi lançado nos cinemas o suspense "Caso 39", do diretor alemão Christian Alvart. O longa conta a história de Emily (Renée Zellweger), uma assistente social responsável por 38 casos de crianças maltratadas pelos pais. Mas, quando ela é incumbida de seu trigésimo nono caso, seus problemas começam a surgir. Entra em sua vida Lily, vivida pela jovem Jodelle Ferland, que sofre nas mãos de seus pais. Comovida com a história da garota, a assistente passa a dar mais atenção ao caso, principalmente depois que os pais tentam matar a criança ao colocá-la dormindo em um forno.
      Com uma premissa atrativa, a da garota maltratada que não é o que aparenta ser, o longa aposta em uma atmosfera de tensão construída aos poucos, evitando dar todas as respostas antes do seu segundo ato, onde coisas estranhas começam a acontecer, como o brutal assassinato cometido por uma das crianças assistidas por Emily. O desenrolar da história é interessante, passando do drama quase policial ao suspense de maneira orgânica, sem sobressaltos.
     Bradley Cooper interpreta Douglas J. Ames, um psicólogo que trata das crianças assistidas por Emily, até se tornar vítima da pior delas. Ainda temos Ian McShane como o detetive Mike Barron, que sempre tenta fazer o certo até ser impelido a usar a força bruta, mas sem sucesso. Falando sobre o elenco, temos a atuação regular de Reneé Zellweger, para não dizer irritante, principalmente devido à infantilização de sua voz. Mas quem rouba a cena é Jodelle Ferland, que passa de mocinha a vilã com uma naturalidade espantosa. No início, sua Lily é meiga e inocente, conquistando a assistente social até ser adotada. Em seguida, ao começar a fazer suas maldades, a jovem mostra grande maturidade e realmente impressiona.
             Uma pena que o roteiro aposte em alguns sustos fáceis na tentativa de chamar a atenção de seu público, desviando a atenção dos verdadeiros problemas do longa. Clichês são comuns na trama, como entrar no carro para fugir de algo sem perceber que seu inimigo está no banco de trás, ou batidas no vidro do carro em um plano fechado, apenas com o intuito de assustar. Com pouquíssimos sustos verdadeiros, a tensão bem construída no começo acaba ficando por lá mesmo, com o terceiro ato descambando para o terror e as perseguições. Mas vale também destacar a coragem da decisão final de Emily, sem apelar para o politicamente correto e sem deixar o final em aberto para possíveis continuações. Se bem que, com o fracasso de bilheteria que foi, nem mesmo um final ambíguo salvaria a fita do esquecimento que já se encontra.


segunda-feira, 1 de abril de 2013

Opinião: "Salt"

Avaliação:

Título original: Salt
Gênero: Ação
Ano de lançamento: 2010
Direção: Philip Noyce
Elenco: Angelina Jolie
           Liev Schreiber
           Chiwetel Ejiofor
           Daniel Olbrynchski

       "Salt" poderia até ser considerado um filme com temática atual se fosse lançado durante a década de 1980, no auge da Guerra Fria. A tensão entre russos e americanos naquela época era infinitamente maior do que a "amizade" dos dias de hoje. Mesmo conhecendo isso, o diretor Philip Noyce, talvez saudoso daqueles tempos, resolve criar em pleno século XXI um filme baseado em um assunto datado, já desgastado com inúmeras produções de temática semelhante.
      O longa começa com Evelyn Salt (Angelina Jolie), agente da CIA que é prisioneira na Coreia do Norte (talvez sim um assunto atual) negando veementemente ser uma espiã americana, ambiguidade que permeará toda a trama. Algum tempo após sua libertação, Salt é convocada para interrogar um desertor russo, Orlov (Daniel Olbrychski). No meio do interrogatório, Orlov conta que a agente americana é na verdade uma espiã russa que teria a missão de matar o presidente americano. Após negar o fato, a bela agente foge da CIA e inicia uma busca pelo seu marido desaparecido e a tentativa de esclarecer a "verdade"
      A direção de Philip Noyce é interessante, segurando a tensão na dúvida pela origem de Salt por boa parte da projeção. Algumas cenas de ação são boas, bem coreografadas e filmadas, mas não todas. Em alguns momentos vemos Salt pular de um caminhão para o outro sem sofrer qualquer arranhão ou até mesmo sentir dor com o impacto, isso se desconsiderarmos ainda a inércia, que a teria derrubado no primeiro salto. Há ainda certos excessos, como agentes não hesitarem em atirar em Salt mesmo vendo que ela está sobre um caminhão carregado de combustível. Temos também a câmera tremida, que impede que acompanhemos cem por cento das cenas mais movimentadas.
      O roteiro, escrito por Kurt Wimmer, que também roteirizou "Esfera", "Equilibrium" e "Ultravioleta", estabelece Salt como um Schwarzenegger de saias. O exército de um homem só é substituído competentemente pelo exército de uma mulher só. A protagonista enfrenta tiros, explosões e lutas corporais sem sequer desarrumar os cabelos, demonstrando uma segurança convincente. Mas o que compromete o roteiro é mesmo a visão unidimensional que muitos americanos têm dos russos, vendo-os como boêmios bêbados e sujos. Sempre que os vemos estão com barba por fazer, consumindo bebidas e em lugares abandonados, como o navio que serve como base de Orlov, vilão que por sua vez é retratado como um líder cruel que não hesita em matar certo personagem apenas para testar a fidelidade de Salt, algo forçado demais,inverossímil.
      A atuação de Jolie é convincente. Sua segurança e seu carisma em cena nos induzem a acreditar que ela seria mesmo capaz de tais proezas. O resto do elenco é correto, o básico para um filme de ação, com destaque para Liev Schreiber como um agente da CIA que guarda um importante segredo. Mesmo com o roteiro um pouco datado e com alguns excessos, "Salt" diverte principalmente devido à tensão e a ambiguidade dos personagens e pela força de Angelina Jolie, que assim como Tom Cruise, faz com que certas cenas de ação pareçam fáceis de fazer.


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Opinião: "Se Beber, Não Case - Parte II"

Avaliação:

Título original: The Hangover Part II
Gênero: Comédia
Ano de lançamento: 2011
Direção: Todd Phillips
Elenco: Bradley Cooper
             Ed Helms
             Zach Galifianakis
             Nick Cassavetes

       Quando assisti a "Se Beber, Não Case", de 2009, experimentei uma comédia completamente nova, empolgante do ponto de vista narrativo. É um filme ágil, com uma piada por cima da outra, superando e muito a maioria dos longas do gênero. É uma pena perceber, portanto, que sua continuação acabe de certa forma decepcionando, caindo nas armadilhas comuns e deixando a inventividade de lado para apostar em repetições e exageros.
      Novamente, o longa gira em torno de uma despedida de solteiro mal sucedida. Dessa vez, o casamento é de Stu (Ed Helms), na Tailândia. Alan (Zach Galifianakis) não gosta da ideia de ter um intruso no bando: Teddy (Mason Lee), o irmão da noiva. Stu, Alan e Phil (Bradley Cooper), acordam desesperados em um hotel de quinta categoria sem lembrar de nada o que acontecera na noite passada. Alan está com a cabeça raspada, e Stu tem uma tatuagem no rosto idêntica à do Mike Tyson. Em vez de um bebê, dessa vez o intruso é um macaco fumante e pervertido, enquanto que o desaparecido da vez não é Doug (Justin Bartha), e sim Teddy. E assim começa tudo de novo: o trio desmemoriado anda perdido em Bangkok em busca do paradeiro de Teddy.
      Com todos esses ingredientes, nada melhor do que a mesma equipe de sempre para não deixar o ritmo lento tomar conta de toda a projeção. Alan continua sendo o mais sem noção do trio, dono de uma infantilidade e uma ingenuidade hilárias. Phil, mesmo com ar de garotão, demonstra ser o centro da razão do trio, além do mais, ele é um pai de família, e tem que ter alguma responsabilidade.  Já Stu é o mais certinho quando sóbrio, mas comete as maiores loucuras quando está bêbado. Ainda temos a volta do impagável Chow (Ken Jeong), que surge no primeiro filme como "vilão" e nesse está mais inspirado ainda, mas ajudando o trio central.
      Uma coisa que não falta para "Se Beber, Não Case - Parte II" é coragem. São raras as comédias norte-americanas a fazer uso de nudez e de piadas escatológicas com tamanha naturalidade e eficiência. Logo na cena do hotel, somos apresentados ao "membro" de Chow. Algum tempo depois, vemos toda a perversão do pequeno macaco traficante. E mais adiante, naquela que é sem dúvida a cena mais hilária de todo o longa, uma, digamos, prostituta, faz revelações surpreendentes sobre a noite de amor que teve com Stu, deixando a todos perplexos. Impagável. Talvez uma das cenas mais engraçadas que já assisti.
      O problema do filme está no seu ritmo. Até a cena citada acima, o filme demora a engrenar. O primeiro ato, principalmente, é totalmente lento, algo não recomendado para comédias. São poucas as cenas realmente inspiradas, sem que a graça tenha sido forçada pelos gritos histéricos de Stu ou por qualquer tentativa de humor físico. O bom senso é por vezees deixado de lado, principalmente na cena em que um personagem descobre estar sem um dedo e nem se estressa. Algo corriqueiro, certo? Afinal, o que é um dedo pra quem nasceu com 20? Isso sem citar a cena da "entrada triunfal" no casamento, que parecer sido tirada de qualquer comédia da Sessão da Tarde.
      Mas com todos os percalços, "Se Beber, Não Case - Parte II" é uma diversão agradável. Sem o mesmo vigor e ritmo que fizeram a fama de seu predecessor, mas ainda assim um filme bom de assistir despretensiosamente, o que é o básico de qualquer comédia.




sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Opinião: "A Conquista da Honra"

Avaliação:

Título original: Flags of Our Fathers
Gênero: Guerra
Ano de lançamento: 2006
Direção: Clint Eastwood
Elenco: Ryan Phillippe
            Adam Beach
            Jesse Bradford
            Neal McDonough

       Filmes de guerra dificilmente dão a mesma atenção aos dois lados do combate. Geralmente os americanos são os protagonistas, os heróis responsáveis por livrar o mundo de alguma ameaça, seja ela na Segunda Guerra Mundial, no Vietnã, ou no Afeganistão. Os inimigos são sempre mostrados como genocidas cruéis, ao passo que os soldados dos Estados Unidos são certinhos, incorruptíveis, sempre prezando pela honra e justiça. Clint Eastwood resolveu fazer diferente ao mostrar os dois lados de uma mesma história: a batalha na ilha de Iwo Jima, no Japão, na Segunda Guerra. Mas em vez de fazer um filme ele criou dois, sendo um visto pela ótica dos americanos, "A Conquista da Honra", e outro apreciando o lado japonês da história, "Cartas de Iwo Jima".
      "A Conquista da Honra" é um longa baseado no livro "Flags of Our Fathers", que conta a história de soldados americanos alçados ao posto de heróis nacionais ao terem hasteado a bandeira americana no alto de um monte na ilha de Iwo Jima, dando assim a falsa ideia de que a batalha havia sido vencida. Três dos soldados são trazidos de volta aos Estados Unidos para serem usados na campanha de arrecadação para o fundo de guerra americano. O filme se baseia mais na campanha e nos conflitos internos dos personagens do que nas batalhas propriamente ditas. Mostra o jogo sujo do governo para manipular os verdadeiros fatos, maquiando a verdade para parecer mais bonita aos olhos do público e assim arrecadar mais.
      Os três soldados viajam pelos Estados Unidos como heróis de guerra, pedindo apoio público para o financiamento da guerra. Mas eles sabiam que não haviam feito nada de mais. A bandeira foi hasteada no quinto dia de batalha, sendo que ali ficaram combatendo por mais trinta e cinco dias após o ocorrido. E a bandeira da famosa foto tirada por Joe Rosenthal era a segunda a ser hasteada, já que a primeira havia sido retirada minutos antes. E ambos sabiam também que não eram heróis. Um era mensageiro, o outro era enfermeiro, e o último era apenas um soldado comum, não tendo eles feito nada de mais honroso para merecer tal título.
      O longa traça bem o retrato norte-americano da época na composição do soldado Ira Hayes, vivido por Adam Beach. Ira é descendente direto de indígenas, sendo recriminado por onde passa. A sociedade americana da época tratava os índios como inferiores, não os permitindo sequer entrar em um bar. Adam Beach interpreta Ira competentemente, compondo o personagem mais rico e tridimensional do filme.
      Clint Eastwood demonstra competência na direção do filme. Os planos abertos que trazem os navios perfilados no mar são de tirar o fôlego. As cenas de batalha, ainda que escassas para um filme do gênero, são maravilhosas; são filmadas com o céu nublado, o que confere um ar mais tenso às cenas. O diretor também acerta ao mostrar pouco os soldados japoneses, sendo que os americanos são atingidos sem que vejamos de onde partiu o tiro ou quem o disparou. Eastwood é competente ao preferir mostrar os dramas de cada soldado com o fardo que é obrigado a carregar para o resto da vida em vez das incessantes e sangrentas batalhas.
      Eastwood também não deixa a desejar na técnica do filme. A belíssima fotografia retrata a crueza da guerra, sendo dessaturada, quase sem cor. Os efeitos especiais são extremamente competentes, dando realidade às batalhas.
      É uma pena, portanto, que a narrativa não-linear acabe por comprometer o resultado final. As idas e vindas da história nos permitem descobrir, por exemplo, quem vai morrer e quem não vai, tirando assim o impacto das cenas. Os flashbacks constantes tornam-se cansativos a partir da metade do longa, cortando a ação e o ritmo nos momentos mais frenéticos. O longa também pesa a mão no forçado tom documental da parte final, tentando amarrar o longa inteiro em alguns minutos de explicação.
      Pode-se assim dizer que Clint Eastwood criou um belo filme sobre de guerra e seus efeitos na vida dos que a ela sobreviveram. Mas deve-se ressaltar que ele foi muito mais feliz ao contar o lado japonês da batalha em seu "Cartas de Iwo Jima", mostrando assim que mesmo que se dê atenção aos dois lados da história, um sempre será melhor conduzido do que o outro.



sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Opinião: "Amor e Outras Drogas"

 Avaliação:

Título original: Love and Other Drugs
Gênero: Comédia, romance
Ano de lançamento: 2010
Direção: Edward Zwick
Elenco: Jake Gillenhaal
            Anne Hathaway
            Josh Gad
            Oliver Platt
            Hank Azaria

“Amor e Outras Drogas” é uma comédia romântica transformada em drama. O filme de 2010 é dirigido por Edward Zwick, que também assina o roteiro com mais duas pessoas.
      O longa conta a história de Jamie Randall (Jake Gillenhaal), um vendedor de uma loja de eletrônicos com um talento nato para conquistar mulheres. Demitido da loja após ter um caso com a namorada do chefe, Jamie começa a trabalhar como representante de uma gigante indústria farmacêutica, e logo é designado a trabalhar em uma cidade interiorana. Com seu talento para vendas, ele logo passa a acompanhar o trabalho do doutor Knight (Hank Azaria) na tentativa de empurrar seus antidepressivos aos pacientes do médico. A única consulta que acompanhamos com Jamie é a de Maggie (a bela Anne Hathaway), uma jovem com acometida precocemente com o mal de Alzheimer.
      Jamie e Maggie começam a se relacionar, mas a garota não quer nada sério, preferindo limitar-se a encontros sexuais. Ela preferia viver sozinha, sem compromisso, para que ninguém se prendesse a ela devido a sua doença. Jamie inicialmente aceita, mas passado algum tempo ele passa a buscar algo mais duradouro, mesmo que isso signifique deixar de lado a carreira promissora e se dedicar integralmente à namorada.
      O romance entre os dois protagonistas é bem construído, sem soar artificial ou forçado. Há uma química inegável entre os dois. Anne Hathaway emociona nas cenas mais dramáticas, em uma de suas melhores atuações, sendo a melhor coisa do filme. Já Jake Gillenhaal é bastante competente como Jamie, o conquistador inveterado que se apaixona, exceto na cena em que ele diz “Eu te amo” pela primeira vez, completamente forçado. Mesmo assim, o casal foi indicado ao Globo de Ouro daquele ano, reconhecendo assim o trabalho competente de ambos.
      O grande problema de “Amor e Outras Drogas” reside na troca constante de tom da narrativa. No início temos o humor escrachado, carregado de palavrões e nudez exagerada e gratuita. Em seguida acompanhamos o desenrolar do romance, onde se situam os melhores momentos do longa. E ao final há a transição para o drama, quando Maggie passa a ter sintomas mais fortes de sua doença e Jamie parte em busca de tratamentos para a amada. Talvez o diretor tivesse tentado criar uma comédia diferente dos clichês do gênero, mas acabou forçando a mão. Mesmo nas cenas de drama, durante uma separação do casal, o diretor insere o humor exagerado, completamente fora de hora, tirando o impacto e a emoção da narrativa.
      O roteiro é interessante, mas tem suas falhas. É difícil aceitar, por exemplo, que médicos, pacientes e enfermeiras estejam tão maravilhados com o Viagra vendido por Jamie que cheguem a cercá-lo para receberem suas amostras, numa das cenas mais sem sentido. Ficamos sem entender como Maggie se sustenta, sendo que mora sozinha e aparentemente não trabalha, mas é perfeitamente capaz de andar com um maço de notas ao ir a uma consulta com o médico. E parece também que os sintomas da doença são causados pela presença constante de Jamie, já que afloram ainda mais à medida que o relacionamento avança, e simplesmente some ao final, quando Maggie já passou algum tempo longe do namorado.  E como engolir o irmão de Jamie, que mesmo sendo mais rico que seu irmão mais velho, vai morar com ele, sendo um peso desnecessário na narrativa?
      Em contraponto aos defeitos, o drama vivido pela personagem de Hathaway é bem explorado e tocante. Observe por exemplo seu apartamento bagunçado, que denota a instabilidade e inconstância da protagonista, que vive um dia após o outro tendo a arte como ponto de fuga para seus problemas. É emocionante, também, quando Jamie é confrontado com a possibilidade de passar o resto dos dias com Maggie, cuidando de suas necessidades fisiológicas à medida que a doença progride. É comovente perceber o empenho de Jamie na busca por um tratamento, viajando para diferentes hospitais em busca de algo que torne mais suportável a existência de sua companheira.
      Balanceando erros e acertos, “Amor e Outras drogas” é um passatempo interessante, que seria infinitamente melhor se o diretor deixasse de lado as picardias adolescentes e focasse mais tempo no teor emocional de seus personagens.


domingo, 15 de julho de 2012

Opinião: "A Última Música"

Avaliação:

Título original: The Last Song
Gênero: Drama, romance
Ano de lançamento: 2010
Direção: Julie Anne Robinson
Elenco: Miley Cyrus
            Greg Kinnear
            Liam Hemsworth
            Bobby Coleman

      Não é de hoje que os livros de Nicholas Sparks, o escritor mais romântico da literatura atual, são adaptados para o cinema. Já comentei isso na crítica que fiz sobre "Querido John". Pois no mesmo ano de lançamento desse filme, em 2010, outro livro de Sparks foi adaptado: "A Última Música", estrelado por Miley Cyrus e dirigido por Julie Anne Robinson.
      O filme conta a história de Ronnie (Miley Cyrus), uma adolescente rebelde que se vê obrigada a passar as férias de verão junto com seu pai, separado da sua mãe há algum tempo e vivendo em uma cidade litorânea. Ali Ronnie conhece Will (Liam Hemsworth, irmão do "Thor"), um rapaz pelo qual ela nutre um desprezo inicial, mas que logo será muito importante para ela. O que Ronnie não sabia era que seu pai, Steve (Gregg Kinnear), sofre de uma doença grave e está tentando se aproximar da filha para passar os últimos momentos junto dela. Ronnie tem um irmão, Jonah (Bobby Coleman), pelo qual mantém um carinho especial.
      A primeira metade do filme serve bem seu propósito de nos apresentar aos personagens. A rebeldia de Ronnie é bem ilustrada por suas respostas afiadas e sua indiferença com o pai. Steve passa todo o filme tentando conquistar a confiança da filha, mesmo que só receba grosserias em troca. Jonah, o caçula, serve como alívio cômico, sendo o melhor personagem do longa. E a relação entre Ronnie e Will é bem criada, sem ser um romance abrupto, criado do nada. Há química entre o casal de protagonistas, principalmente quando Ronnie decide ser mais gentil. Pena que o primeiro ato seja um pouco arrastado. Mesmo com a construção cuidadosa dos personagens, tudo ocorre de forma muito lenta, com algumas cenas conduzidas lentamente e sem propósito algum.
      O que aborrece um pouco é a atuação de Miley Cyrus. Tentando escapar da marca de Hannah Montana, a atriz acaba criando uma personagem chata, de mal com o mundo, que se irrita com qualquer coisa. Na grande maioria das vezes, a vemos criando caretas desnecessárias e agindo com uma ira desmedida, sem justificativa aparente ou suficiente. Dá vontade de entrar na tela e dar uns tapas nela para ver se acorda para a vida. Sua maldade com seu pai por vezes surge forçada, não nos permitindo acreditar que alguém pudesse ser tão cruel sem motivo com o pai que não vê há tempos.
      Esse é um tema recorrente nas histórias de Sparks, que já se tornou cansativo: o relacionamento conturbado entre pai e filho. É de se imaginar que o autor tenha passado por isso na vida, ou então esteja sem criatividade suficiente para criar coisas diferentes. Por falar em ideias reaproveitadas, até a cidade onde a história se passa é praticamente igual a de "Querido John", nos levando a confundir por certas vezes as cenas que estamos assistindo, como se já tivéssemos visto aquilo antes.
      Mas o filme se salva em sua metade final. Greg Kinnear dá alma a seu Steve Miller, um pai que só quer estar ao lado dos filhos em seus momentos finais. O carinho dado ao filho menor e a busca pelo entendimento com a filha mais velha são tocantes, nos emocionando por certas vezes. E isso acaba tornando o drama familiar o tema mais importante nas cenas finais, praticamente abandonando o romance entre Ronnie e Will para focar na luta de Steve contra a doença. As cenas derradeiras são comoventes, criando lágrimas até nos olhos mais secos. Diga-se de passagem, algo recorrente na bibliografia de Nicholas Sparks.
      Isso é o que define "A Última Música": o romance básico entre Ronnie e Will desenvolvido por toda a trama é deixado de lado, dando mais atenção ao drama de Steve. As separações constantes do casal principal, sobretudo por causa do caráter irritadiço de Ronnie, acaba cansando, o que tira a força do relacionamento.
      Não é um longa completamente chato, mas são esses pequenos detalhes que compromentem a qualidade da narrativa. É, sim, uma história tocante de amor de um pai por seus filhos, e é onde está a verdadeira força do filme.


terça-feira, 10 de julho de 2012

Opinião: "Homem-Aranha 3"

Avaliação:

Título original: Spider-Man 3
Gênero: Ação, aventura
Ano de lançamento: 2007 
Direção: Sam Raimi
Elenco: Tobey Maguire
            Kirsten Dunst
            James Franco
            Topher Grace
            Thomas Hayden Church
            Rosemary Harris

 
      Sam Raimi tinha uma franquia lucrativa nas mãos. Os dois filmes anteriores do herói aracnídeo tinham obtido um estrondoso sucesso. Agora, a produtora queria um filme do Venom, um dos vilões preferidos dos fãs. O problema é que o diretor já havia declarado diversas vezes que odiava o tal vilão e nunca iria fazer um filme com ele. Mas a pressão foi grande, e o resultado foi esse “Homem-Aranha 3”, lançado em 2007, um filme que está longe de ser uma obra-prima, mas que também não é de todo ruim.
      Assim como em “Homem-Aranha 2”, os eventos dos filmes anteriores são relembrados nos créditos iniciais. O herói (Tobey Maguire) está em sua melhor fase, e é adorado pelos cidadãos de Nova York. Seu relacionamento com Mary Jane (Kirsten Dunst) vai bem, e ele pretende pedi-la em casamento em breve. Mas, como nada é fácil na vida do Homem-Aranha, os problemas logo começam a surgir.
      Vindo do espaço em um meteorito, uma estranha substância pega carona em sua motoneta e o segue até em casa. Logo em seguida, no encaixe mais desnecessário do roteiro, somos apresentados a Flint Marko (Thomas Hayden Church), fugitivo da polícia que matou Ben Parker. Mas não foi aquele sujeito do primeiro filme que matou o tio de Peter? Sim, mas para fazer com que o Homem-Aranha o persiga, os roteiristas mudam o assassino. Marko cai em um tanque durante uma experiência, e torna-se o Homem-Areia.
      Para piorar, Harry Osborn (James Franco), que no final do filme anterior havia descoberto os equipamentos do Duende Verde, agora começa a usá-los para atacar o Homem-Aranha. Sem contar com o estranho simbionte que adere ao seu uniforme, modificando drasticamente sua personalidade.
      Os efeitos visuais são de primeira linha, talvez os melhores da série. O boneco digital do Homem-Aranha está ainda mais convincente, e seus inimigos não ficam para trás. Especialmente a origem do Homem-Areia, por exemplo, é o momento mais bem feito plasticamente, nos permitindo analisar cada detalhe das partículas de areia que formam o corpo do vilão. A cena em que conhecemos Gwen Stacy (Bryce Dallas Howard), quando ela é fotografada enquanto um guindaste fora de controle destrói alguns andares do prédio, também é magnífica, de prender a respiração. Os passeios do herói por Nova York são muito bem filmados, um fato recorrente da série. A única ressalva é que, enquanto salta pelos prédios à noite usando o uniforme negro, perdemos um pouco do foco, já que ele se mistura com a escuridão das ruas.
      Mas narrativamente o filme é falho. Por exemplo, temos uma Gwen mal aproveitada. Ela aparece no começo, beija o Homem-Aranha ao entregar a chave da cidade, e depois simplesmente desaparece, surgindo no final apenas para fazer ciúmes em Mary Jane. Assim como May Parker (Rosemary Harris): tão importante para Peter nos outros filmes, aqui ela aparece poucas vezes, e apenas para dar conselhos breves. Culpa do roteiro apressado, que de tanto inflar o filme de personagens novos e vilões dispensáveis, acaba por criar um filme mais longo que os anteriores (139 minutos), mas que falha principalmente ao tentar juntar todos os núcleos da história.
      Vilões não faltam no filme: além do Homem-Areia e Harry como o “Duende Jr.”, ainda temos Venom, que adere ao corpo de Eddie Brock (Topher Grace). Apesar de ser divulgado como o vilão principal, ele só aparece no terceiro ato, decepcionando quem esperava mais tempo de projeção desse ser tão amado dos quadrinhos. Harry foi outro abandonado pelo roteiro: foi mais importante nos filmes anteriores, e se tornou apenas mais um vilão nesse filme, se sacrificando e tendo um final decepcionante. Uma pena, já que podia ser melhor aproveitado.
      Isso sem considerarmos também as “coincidências” plantadas pelo roteiro: o meteorito que continha o simbionte cai bem atrás de Peter, sem que ele perceba, e cola em sua convenientemente em sua moto; Harry perde a memória “convenientemente” após uma cena importante, que poderia definir o filme logo ali; Flint Marko cai em um tanque a céu aberto bem no momento de uma experiência científica; Eddie Brock, após ser recomendado por Peter a pedir perdão na religião, vai à igreja pedir para que Deus mate Peter, e é tomado pelo simbionte, se tornando o Venom. Isso demonstra mais que tudo o cansaço de Sam Raimi na condução do filme, que fez o filme por pressão da Sony.
      Mas o mais ridículo do filme é o “Emo-Parker”. Sob efeito do simbionte alienígena, ele torna-se um ser não só agressivo, mas também desleixado e engraçadinho, criando momentos de vergonha-alheia total.
      O filme transcorre com um ritmo até aceitável, mas se perde no ato final. Tentando atar as pontas soltas, heróis e vilões se encontram em uma luta final empolgante, mas apressada. Apesar de ser boa, não tem o impacto desejado, por já estarmos cansados depois de duas horas de filme.
      Não é um filme totalmente ruim. Os diálogos são bons, os atores estão esforçados, a parte técnica é perfeita. Mas faltou um pouco mais de cuidado e vontade na direção, o que afetou um pouco a história. Não é ruim, apenas inferior aos anteriores. Encerrou de forma razoável aquela que já pode ser considerada a trilogia clássica do Homem-Aranha, mas sem comprometê-la.


terça-feira, 3 de julho de 2012

Opinião: "Querido John"


Avaliação:


Título original: Dear John
Gênero: Drama, romance
Ano de lançamento: 2010
Direção: Lasse Hallström
Elenco: Chaning Tatum
            Amanda Seyfried
            Richard Jenkins


      Nicholas Sparks é um escritor de sucesso. Praticamente todos os seus livros se tornaram best-sellers. E é claro que os estúdios de Hollywood viram em suas obras uma mina de ouro, daquelas quase inesgotáveis.
Começou em 1999, quando foi feito o primeiro filme baseado em uma obra de Sparks: "Uma Carta de Amor", praticamente desconhecido no Brasil. Mas foi o filme seguinte que confirmou o poder de bilheteria da obra de Sparks: "Um Amor para Recordar", inesperado sucesso de 2002. De lá para cá, mais cinco de seus livros foram adaptados para a tela grande: "O Diário de uma Paixão" (2004), talvez o melhor deles; "Noites de Tormenta" (2008); "A Última Música" (2010); "Querido John" (2010"; e seu mais recente, "Um Homem de Sorte" (2012). Sem contar "Safe Haven", ainda sem título no Brasil, que tem previsão de estreia para 2013.
      Todos esses filmes têm um ponto em comum: romance, muito romance, daqueles água-com-açúcar clássicos. Em "Querido John", filme dirigido pelo sueco Lasse Hallström, não é diferente. John (Chaning Tatum), é um soldado do exército americano de licença em sua cidade natal que conhece Savannah (Amanda Seyfried), uma universitária de férias na cidade litorânea. Os dois se aproximam, vivendo grandes momentos juntos. John tem um pai praticamente autista, Bill (Richard Jenkins), com o qual vive uma relação de poucas palavras. Savannah se aproxima de John, e frequentemente de Bill, para tentar ajudá-lo com sua doença. Até que John se vê obrigado a voltar para o serviço militar por mais um ano, quando sua obrigação de servir o país acaba. Para que a separação forçada não abale o relacionamento, eles decidem escrever cartas um para o outro diariamente.
      Perto do fim do prazo do serviço militar, Nova York sofre os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, abalando a confiança de John em voltar pra casa e abandonar seus companheiros de farda. É aí que entra uma questão importante: até que ponto o exército influencia as escolhas de um homem? A ligação entre o soldado e o exército é tão forte que o homem prefere arriscar sua vida em uma guerra a voltar para casa e ficar seguro com aqueles que o querem bem. Onde está a sanidade nisso? Como pode haver a preferência por arriscar sua vida no campo de batalha para tirar a vida de outros, tão humanos quanto ele? Mas infelizmente o filme não se aprofunda nessa questão. Prefere não criar polêmica e ver apenas o lado do mocinho patriota. Não que não seja honrado lutar por seu país, claro, já que cada um decide o que fazer da sua vida e escolhe fazer aquilo que gosta. Mas tirar a vida de semelhantes para defender um governo sanguinário que só quer vingança parece um tanto quanto egoísta.
      Sentindo o relacionamento abalado, Savannah decide enviar uma última carta a John, terminando o namoro. Aqui a atuação de Chaning Tatum merece crédito, mostrando-se consternado com a separação de forma convincente. O destaque do filme fica por conta de Richard Jenkins, que demonstra segurança interpretando o pai doente de John. E é justamente a relação entre pai e filho que traz o momento mais bonito do filme, quando John lê uma carta emocionante para o pai, já debilitado em uma cama de hospital.
      O filme segura bem o romance, mas a leitura das cartas e a distância forçada entre os protagonistas torna o filme por vezes maçante, monótono. O terceiro ato dá uma levantada no ritmo, mas não é o suficiente para salvar o final fraco e sem clímax. Com a história de um soldado obrigado a se separar de seu amor e de seu pai para enfrentar os perigos da guerra,o diretor Lasse Hallström tinha uma história promissora nas mãos, mas preferiu seguir a cartilha de trilha sonora tocante e dos momentos água-com-açúcar em vez de criar uma obra mais profunda e marcante. Talvez pelas obrigações da produtora, que quisesse a transcrição exata do livro para a tela. Não é um filme ruim, mas sinto que poderia ter sido melhor, se tivesse tido um controle menor do estúdio ou um diretor mais firme na condução da obra.