terça-feira, 10 de julho de 2012

Opinião: "Homem-Aranha 3"

Avaliação:

Título original: Spider-Man 3
Gênero: Ação, aventura
Ano de lançamento: 2007 
Direção: Sam Raimi
Elenco: Tobey Maguire
            Kirsten Dunst
            James Franco
            Topher Grace
            Thomas Hayden Church
            Rosemary Harris

 
      Sam Raimi tinha uma franquia lucrativa nas mãos. Os dois filmes anteriores do herói aracnídeo tinham obtido um estrondoso sucesso. Agora, a produtora queria um filme do Venom, um dos vilões preferidos dos fãs. O problema é que o diretor já havia declarado diversas vezes que odiava o tal vilão e nunca iria fazer um filme com ele. Mas a pressão foi grande, e o resultado foi esse “Homem-Aranha 3”, lançado em 2007, um filme que está longe de ser uma obra-prima, mas que também não é de todo ruim.
      Assim como em “Homem-Aranha 2”, os eventos dos filmes anteriores são relembrados nos créditos iniciais. O herói (Tobey Maguire) está em sua melhor fase, e é adorado pelos cidadãos de Nova York. Seu relacionamento com Mary Jane (Kirsten Dunst) vai bem, e ele pretende pedi-la em casamento em breve. Mas, como nada é fácil na vida do Homem-Aranha, os problemas logo começam a surgir.
      Vindo do espaço em um meteorito, uma estranha substância pega carona em sua motoneta e o segue até em casa. Logo em seguida, no encaixe mais desnecessário do roteiro, somos apresentados a Flint Marko (Thomas Hayden Church), fugitivo da polícia que matou Ben Parker. Mas não foi aquele sujeito do primeiro filme que matou o tio de Peter? Sim, mas para fazer com que o Homem-Aranha o persiga, os roteiristas mudam o assassino. Marko cai em um tanque durante uma experiência, e torna-se o Homem-Areia.
      Para piorar, Harry Osborn (James Franco), que no final do filme anterior havia descoberto os equipamentos do Duende Verde, agora começa a usá-los para atacar o Homem-Aranha. Sem contar com o estranho simbionte que adere ao seu uniforme, modificando drasticamente sua personalidade.
      Os efeitos visuais são de primeira linha, talvez os melhores da série. O boneco digital do Homem-Aranha está ainda mais convincente, e seus inimigos não ficam para trás. Especialmente a origem do Homem-Areia, por exemplo, é o momento mais bem feito plasticamente, nos permitindo analisar cada detalhe das partículas de areia que formam o corpo do vilão. A cena em que conhecemos Gwen Stacy (Bryce Dallas Howard), quando ela é fotografada enquanto um guindaste fora de controle destrói alguns andares do prédio, também é magnífica, de prender a respiração. Os passeios do herói por Nova York são muito bem filmados, um fato recorrente da série. A única ressalva é que, enquanto salta pelos prédios à noite usando o uniforme negro, perdemos um pouco do foco, já que ele se mistura com a escuridão das ruas.
      Mas narrativamente o filme é falho. Por exemplo, temos uma Gwen mal aproveitada. Ela aparece no começo, beija o Homem-Aranha ao entregar a chave da cidade, e depois simplesmente desaparece, surgindo no final apenas para fazer ciúmes em Mary Jane. Assim como May Parker (Rosemary Harris): tão importante para Peter nos outros filmes, aqui ela aparece poucas vezes, e apenas para dar conselhos breves. Culpa do roteiro apressado, que de tanto inflar o filme de personagens novos e vilões dispensáveis, acaba por criar um filme mais longo que os anteriores (139 minutos), mas que falha principalmente ao tentar juntar todos os núcleos da história.
      Vilões não faltam no filme: além do Homem-Areia e Harry como o “Duende Jr.”, ainda temos Venom, que adere ao corpo de Eddie Brock (Topher Grace). Apesar de ser divulgado como o vilão principal, ele só aparece no terceiro ato, decepcionando quem esperava mais tempo de projeção desse ser tão amado dos quadrinhos. Harry foi outro abandonado pelo roteiro: foi mais importante nos filmes anteriores, e se tornou apenas mais um vilão nesse filme, se sacrificando e tendo um final decepcionante. Uma pena, já que podia ser melhor aproveitado.
      Isso sem considerarmos também as “coincidências” plantadas pelo roteiro: o meteorito que continha o simbionte cai bem atrás de Peter, sem que ele perceba, e cola em sua convenientemente em sua moto; Harry perde a memória “convenientemente” após uma cena importante, que poderia definir o filme logo ali; Flint Marko cai em um tanque a céu aberto bem no momento de uma experiência científica; Eddie Brock, após ser recomendado por Peter a pedir perdão na religião, vai à igreja pedir para que Deus mate Peter, e é tomado pelo simbionte, se tornando o Venom. Isso demonstra mais que tudo o cansaço de Sam Raimi na condução do filme, que fez o filme por pressão da Sony.
      Mas o mais ridículo do filme é o “Emo-Parker”. Sob efeito do simbionte alienígena, ele torna-se um ser não só agressivo, mas também desleixado e engraçadinho, criando momentos de vergonha-alheia total.
      O filme transcorre com um ritmo até aceitável, mas se perde no ato final. Tentando atar as pontas soltas, heróis e vilões se encontram em uma luta final empolgante, mas apressada. Apesar de ser boa, não tem o impacto desejado, por já estarmos cansados depois de duas horas de filme.
      Não é um filme totalmente ruim. Os diálogos são bons, os atores estão esforçados, a parte técnica é perfeita. Mas faltou um pouco mais de cuidado e vontade na direção, o que afetou um pouco a história. Não é ruim, apenas inferior aos anteriores. Encerrou de forma razoável aquela que já pode ser considerada a trilogia clássica do Homem-Aranha, mas sem comprometê-la.


domingo, 8 de julho de 2012

Opinião: "Homem-Aranha 2"

Avaliação:

Título original: Spider-Man 2
Gênero: Ação, aventura
Ano de lançamento: 2004
Direção: Sam Raimi
Elenco: Tobey Maguire
            Kirsten Dunst
            Alfred Molina
            James Franco

      Quando o primeiro "Homem-Aranha" foi lançado, em 2002, alcançou um estrondoso sucesso de público e crítica. Quando sua continuação foi anunciada, o público ficou em polvorosa, mas a crítica ficou receosa de que o segundo filme seria apenas para arrecadar dinheiro, deixando de lado a história e partindo para a ação, como muito é feito até hoje. Mas, felizmente, não foi isso que aconteceu. Em 2004, Sam Raimi apresentou ao mundo seu "Homem-Aranha 2", um filme tocante, que conseguiu sim superar seu antecessor.
      Peter Parker (Tobey Maguire) agora mora sozinho, em um quarto alugado em uma pensão. Tem que equilibrar dois empregos, os estudos e o que lhe toma mais tempo: sua carreira como Homem-Aranha. Tanto que não consegue desempenhar bem nenhuma das tarefas, sendo demitido do trabalho de entregador de pizza e tirando notas ruins na escola. Seu amigo Harry (James Franco) tornou-se obcecado pelo Homem-Aranha, imaginando que ele tinha sido o culpado pela morte de seu pai. Mary Jane conseguiu um trabalho como atriz em uma peça de teatro. E sua tia May está com as contas atrasadas, e corre o risco de perder a casa onde mora.
      Peter conhece um de seus ídolos, Otto Octavius (Alfred Molina), cientista que trabalha com financiamento da Oscorp para produzir uma nova fonte de energia. Nesse experimento, Octavius utiliza braços mecânicos guiados por inteligência artificial para manipular o instável trício, elemento raro capaz de criar um verdadeiro sol na Terra. Mas algo dá errado durante a apresentação do trabalho, matando a esposa do cientista e destruindo seu laboratório. Otto é levado desacordado ao hospital para fazer a cirurgia de retirada dos braços mecânicos acoplados ao corpo, mas os braços acordam antes dele e não permitem que os médicos os destruam, causando uma verdadeira chacina na sala de cirurgia. Aqui, como no primeiro filme, percebemos a veia de terror de Raimi, que cria uma cena assustadora e sanguinária. Otto foge para um galpão abandonado à beira do rio, onde é convencido pelos braços mecânicos a roubar um banco e continuar os experimentos.
      Enquanto isso, a vida de Parker piora ainda mais. Surge um novo vilão na cidade, seus estudos vão de mal a pior, sua tia está prestes a ser despejada, e para arrasá-lo ainda mais, Mary Jane aceita se casar com John Jameson, astronauta filho do editor do Clarim Diário. Com toda essa pressão, os poderes do Homem-Aranha começam a falhar, e ele decide-se por abandonar a função árdua de defender a cidade como o herói mascarado. Desenvolvendo um personagem cada vez mais atormentado e desanimado da vida, Tobey Maguire nos brinda com uma atuação convincente, e não é difícil se colocar no lugar dele quando é anunciado o casamento de Mary Jane com John Jameson. Já Alfred Molina cria o dr. Octupus, um vilão completamente tridimensional, assim como tinha sido o Duende Verde no filme anterior. É um personagem atormentado, e não mais um vilão que quer destruir o mundo como em outros filmes do gênero.
      É raro um filme de super-herói que dá mais espaço à história do que à ação. Em "Homem-Aranha 2", somos agraciados com um roteiro primoroso, que cria personagens tridimensionais, humanos. As atuações são bem conduzidas, e o drama presente do início ao fim eleva ainda mais o nível desse filme brilhante.
      Mas não só de drama vive o filme. As cenas de ação são excepcionais, principalmente a cena da luta no trem. Os efeitos especiais, premiados com o Oscar, estão melhores do que no filme original, assim como a criação dos personagens digitais, que soam convincentes. As cenas em que passeamos pela teia do Homem-Aranha são magistrais, já se tornando clássicas e inesquecíveis.
       Por fim, "Homem-Aranha 2" tornou-se um dos melhores filmes de super-herói de todos os tempos, senão o melhor. E provou que, se bem escrita e filmada, uma continuação pode sim ser melhor que o filme original. Pena que isso não aconteceu no terceiro filme, do qual falarei mais adiante.


sábado, 7 de julho de 2012

Opinião: "Homem-Aranha"


Avaliação:

Título original: Spider-Man
Gênero: Ação, aventura
Ano de lançamento: 2002
Direção: Sam Raimi
Elenco: Tobey Maguire
            Kirsten Dunst
            Willem Dafoe
            James Franco
      O Homem-Aranha sempre teve um grande sucesso nos quadrinhos e na TV. Nada mais natural que fosse adaptado ao cinema. E foi exatamente o que aconteceu em 2002, quando estreou o primeiro filme de um dos mais queridos heróis dos quadrinhos, abrindo caminho para que outros heróis invadissem as telonas nos anos seguintes. Mas o que tornou esse filme um grande sucesso de público e crítica?
      Para chefiar essa produção grandiosa, a Sony contratou o diretor Sam Raimi, conhecido por dirigir filmes de terror, e que transformou o "Homem-Aranha" em um sucesso colossal, rendendo-lhe mais duas continuações.
      Peter Parker (Tobey Maguire) é um estudante tímido do colegial, vítima de bullying por parecer o mais nerd e indefeso dos garotos. Quem já passou por isso sabe do que estou falando. Ele nutre uma paixão platônica por sua vizinha, Mary Jane (Kirsten Dunst), desde a infância. Na escola, é o aluno exemplar, detentor das melhores notas. Mas na vida pessoal, tem apenas um amigo, Harry Osborn (James Franco), filho do milionário cientista Norman Osborn (Willem Dafoe), que se encanta pela paixão de Parker pela ciência, deixando o filho enciumado. Durante um passeio a um centro de pesquisas, Peter é picado por uma aranha geneticamente modificada e passa a desenvolver habilidades geralmente comuns às aracnídeas.
      Um dia, depois de ver Mary Jane sair de carro com seu namorado, Peter resolve usar suas habilidades para ganhar dinheiro e conseguir comprar um veículo também, para quem sabe assim conquistar a garota dos seus sonhos. Típico sonho adolescente, que todos nós já tivemos um dia. O que ele não esperava é que, ao deixar um ladrão escapar da polícia, estaria contribuindo para a morte de seu tio Ben, sua figura paterna desde que seus pais faleceram.Sentindo-se responsável pela morte de seu tio, Peter resolve usar seus poderes de aranha para deter os criminosos de Nova York.
      Norman Osborn, prestes a perder um importante contrato com o exército, decide experimentar o soro que estava sendo desenvolvido em seu laboratório, a fim de agilizar as pesquisas. Mas com o projeto ainda inconcluso, Osborn tem um efeito colateral grave, desenvolvendo uma segunda personalidade, cruel e desequilibrada. Roubando seu próprio planador desenvolvido na Oscorp, ele decide sabotar os testes da empresa concorrente e matar a diretoria de sua companhia, tornando-se o Duende Verde, uma ameaça mortal para a cidade.
      Não só o Duende Verde persegue o herói aracnídeo, mas também Jonah Jameson, editor-chefe do Clarim Diário. Responsável por manchetes sensacionalistas sempre contra o Homem-Aranha, é também o dono de alguns dos momentos mais inspirados do longa. Há um detalhe no jornal: a secretária que dá o primeiro cheque a Peter pela venda de suas fotos é Betty Brant, personagem que também existe nos quadrinhos e teve um caso com Parker durante algumas revistas.
      Willem Dafoe é brilhante na criação de seu personagem, um cientista até amigável que se torna sombrio e perigoso, mas não de uma hora para outra. Tanto que, após os primeiros acontecimentos, Norman não lembra do que ele próprio cometeu. Sua personalidade instável acentuada pelo experimento faz com que ele tenha momentos de loucura e monólogos com sua persona má em frente ao espelho.
      Mas não é só a atuação de Willem Dafoe que merece crédito. Todos demonstram cuidado e dedicação nas interpretações. Mary Jane não é só a mocinha indefesa, mas sim uma garota determinada, que escapa das bebedeiras e da violência do pai para tentar vencer na cidade, mesmo que comece trabalhando como operadora de caixa em uma lanchonete. Rosemary Harris entrega bons momentos como a tia May, dando o suporte e o carinho necessários que Peter precisa nos momentos de dificuldade. Não esquecendo da ótima conduta de Tobey Maguire como Peter Parker/Homem-Aranha, que realmente nos convence como o garoto inseguro que tem que lutar contra todos os perigos para defender quem ama. 
      A direção de Raimi é sensacional. Equilibra muito bem a ação bem feita com os brilhantes diálogos, criando momentos memoráveis. Até alguns sustos estão presentes, lembrando seus grandes momentos como diretor de terror. Mas ele não deixa de lado a veia cômica, já que o Homem-Aranha é um dos personagens mais engraçados e irônicos dos quadrinhos. Os planos em que a câmera passeia com o herói por entre os prédios são ótimos, nos levando juntos em sua teia.
      Outro ponto forte é o roteiro. Os diálogos bem construídos dão mais fluidez à trama, não sendo apenas a simples historinha do "herói hesitante que precisa salvar a mocinha". Os personagens bem concebidos enriquecem ainda mais a narrativa, tornando o filme algo além de lutas e explosões.
      Mas a parte técnica do filme não fica para trás. Tem efeitos especiais magníficos, tendo concorrido ao Oscar daquele ano, mas perdido para o primeiro "O Senhor dos Anéis". O único ponto negativo é o boneco digital que substitui o herói em alguns momentos, causando um pouco de estranheza e trazendo um pouco de artificialidade ao visual. Mas nada que diminua a grandeza da produção.
      O Homem-Aranha não é apenas um ser poderoso que protege a cidade dos criminosos. É também o Peter Parker, um jovem estudante que precisa arranjar um emprego e não consegue pagar um lanche para a namorada sem contar os centavinhos. É o mais humilde dos heróis, e o mais humano. Impossível não se compadecer ou se identificar com esse personagem tão sofrido, que luta contra os inimigos e contra o fim do salário de freelancer do Clarim Diário. E ver essa história ser tão bem contada na tela grande é algo digno de admiração.


quarta-feira, 4 de julho de 2012

Opinião: "Matrix Reloaded"


Avaliação:


Título original: The Matrix Reloaded
Gênero: Ação, ficção científica
Ano de lançamento: 2003
Direção: Andy Wachowski, Lana Wachowski
Elenco: Keanu Reeves
            Lawrence Fishburne
            Carrie-Anne Moss
            Hugo Weaving

      Assim que foi lançado, em 1999, "Matrix" subverteu o gênero de ação, com efeitos especiais espetaculares e cenas de impacto. Também se tornou um marco na ficção científica, com uma trama bem elaborada. Devido ao grande sucesso, a trilogia imaginada pelos irmãos Wachowski ganhou forma. O problema para eles seria superar aquilo que já havia sido feito, reinventando a Matrix. De certa forma conseguiram, continuando a história da guerra contra as máquinas e usando do que tem de mais moderno no que dizia respeito aos efeitos especiais.
      Em "Matrix Reloaded", somos apresentados a novos elementos que contribuem para enriquecer ainda mais o brilhante universo criado pelos irmãos Wachowski. Durante uma reunião dos comandantes das naves da resistência, Morpheus pede que um dos líderes das naves fique na Matrix e não volte para Zion, o último reduto da humanidade livre, a fim de esperar um contato do Oráculo. Nessa reunião, Neo percebe a aproximação dos Agentes, que invadem o local. Cada vez mais seguro de seus poderes e de seu papel na revolução, Neo luta com eles de forma até burocrática, sem se sentir ameaçado.
      Neo chega pela primeira vez a Zion, e se depara com uma verdadeira adoração a ele. Os habitantes da cidade o tratam como o verdadeiro Messias, reunindo-se em volta dele, oferecendo-lhe presentes fazendo-lhe pedidos.
      Os líderes das naves são informados de que as máquinas estão perfurando os muros de Zion acompanhadas de 250.000 sentinelas, e invadirão a cidade em questão de horas. Por esse motivo, a cidade deveria ter o máximo de naves juntas, para ajudar no combate inevitável. Enquanto isso, Neo recebe o chamado do Oráculo e parte para a Matrix. Antes de conseguir falar com o Oráculo, Neo tem que participar de uma luta com seu guardião, Seraph, que dá a desculpa de que precisava lutar com ele para saber se ele era Neo. O momento mais sem propósito do filme.
      É na conversa com Oráculo que descobrimos as coisas mais interessantes sobre a Matrix. Oráculo revela que é um programa da própria Matrix criado para entender os sentimentos humanos, que mudou de lado e passou a ajudá-los. Explica também que tudo na Matrix é gerenciado por um programa específico: os ventos, os animais, a chuva. Quando um programa não cumpre seu propósito corretamente, ele é deletado e substituído por outro, criando anomalias no sistema que são conhecidas pelos humanos como fantasmas, lobisomens, e outras coisas "sobrenaturais".
      Oráculo informa a Neo que ele precisa encontrar o Chaveiro, um programa que faz "chaves" (na verdade, as "chaves" criadas pelo chaveiro nada mais são do que atalhos a outros lugares da Matrix; assim sendo, é mais fácil entender o conceito de que uma porta se fecha em um lugar e quando é aberta mostra um lugar completamente diferente). O Chaveiro criaria uma chave para que Neo acessasse a fonte das máquinas, onde ele reiniciaria o sistema e destruiria a Matrix da maneira como ele a conhece. Mas o Chaveiro está aprisionado por Merovíngio, um programa poderoso e inescrupuloso, que detém alguns seres (leia-se programas) bizarros sob seu comando. Esses seres são criaturas de outras versões da Matrix, que deveriam ter sido excluídos, mas de alguma maneira ficaram exilados, sob o controle de Merovíngio.
      Eis que surge o agente Smith, que havia sido destruído por Neo no filme anterior. Agora ele retorna como um vírus capaz de se replicar ao entrar em contato físico com qualquer pessoa conectada à Matrix. Smith e (mais umas cem cópias de si mesmo) encontra Neo e começa uma bela batalha. A cena é criada basicamente por computação gráfica, criando planos impossíveis de serem criados em uma filmagem convencional. Mas é justamente a computação gráfica que demonstra a artificialidade da cena, não nos permitindo acreditar completamente.
      Mas a melhor cena do filme é a da perseguição na rodovia. Uma cena longa, mas que em nenhum momento fica cansativa. Tomadas empolgantes, de tirar o fôlego, marcam essa sequência memorável. Os efeitos especiais do filme são excelentes, principalmente nessa cena.
      Tendo mais uma vez o roteiro como seu ponto forte, o filme levanta várias novas questões intrigantes e nos apresenta a mais personagens fascinantes. A trama com várias reviravoltas é sempre tensa, nunca perdendo o ritmo. Levantando a história e preparando o terreno para o final da saga, cria muitas expectativas, especialmente sobre o embate final entre Neo e Smith. Com esse filme, os reclusos irmãos Wachowski reforçaram ainda mais o rótulo de revolucionários, aumentando o alcance (e a arrecadação) de sua obra.




terça-feira, 3 de julho de 2012

Opinião: "Megamente"


Avaliação:

Título original: Megamind
Gênero: Animação, comédia
Ano de lançamento: 2010
Direção: Tom McGrath
Elenco (vozes): Will Ferrell
                        Tina Fey
                        Brad Pitt
                        David Cross
                        Jonah Hill

      Já faz muito tempo que filmes de animação deixaram de ser coisa de criança. Desde "O Rei Leão", e depois dele "Procurando Nemo", que somos brindados com animações cada vez mais bem feitas, com roteiros bem elaborados e um humor feito não só para agradar crianças, mas também os adultos. Isso é mais do que comprovado em "Megamente", animação de 2010 que conta a história do personagem-título, um ser cabeçudo e azul que é enviado à Terra ainda criança, após a destruição de seu planeta. Para o seu azar, sua nave cai em uma prisão, e ele tem sua personalidade moldada pelos criminosos com quem ele convive. Metro Man (voz de Brad Pitt no original) vem para a Terra junto dele, mas tem a sorte de sua nave cair em uma mansão, e ele passa a ser cuidado por uma família rica e bem-educada.
      Megamente e Metro Man passam a nutrir uma rivalidade desde crianças, quando já na escola competiam por atenção: Megamente era o mais inteligente, mas tinha azar. Já seu algoz era o mais forte, e conquistava as professoras e as alunas, deixando-o cada vez mais humilhado. O tempo passa, e a rivalidade aumenta. Metro Man se torna o herói de Metro City, enquanto Megamente usa seu cérebro avantajado bolando planos mirabolantes para destruir seu inimigo.
      Diferentemente das outras histórias de super-heróis, aqui o protagonista é o vilão, um ser azarado, carismático e engraçado, que apesar de ser "do mal" nunca consegue meter medo de verdade. Já Metro Man é o herói canastrão, orgulhoso, cheio de si, praticamente o Superman. Esse, por sinal, é o grande homenageado do filme. Desde a viagem para a Terra depois da destruição de um planeta, passando pelo rosto e a personalidade de Metro Man, até o nome da cidade, Metro City, a qual Megamente insiste em chamar de Metrócity, uma clara alusão a Metrópolis, a cidade do Homem-de-Aço.
      Existe entre os dois inimigos mortais a figura feminina frágil: Roxanne Ritchie (na dublagem brasileira, virou Rosana Rocha), a repórter que sempre cai nas garras do vilão e precisa ser salva pelo herói (olha aí a representação da Lois Lane). Ela tem um assistente, Hal, um cinegrafista atrapalhado que desempenhará um papel importante na trama.
      Voltando à história: durante a inauguração do Memorial Metro Man, Roxanne é sequestrada e o herói precisa salvá-la. Mas acontece o que ninguém esperava, nem mesmo Megamente: Metro Man cai na armadilha e é destruído. Megamente tem, então, toda a cidade para ele. No começo ele aproveita como pode o status de todo-poderoso de Metro City, mas passado algum tempo ele começa a sentir falta de um inimigo, alguém com quem competir, alguém com quem lutar. Ao passo que começa a se apaixonar por Rosana, conquistando-a usando uma identidade falsa.
      "Megamente" como animação é muito bem feito, seja no desenho perfeito da cidade, seja na criação dos personagens; visualmente bem encaixado, sem parecer artificial ou exagerado demais. O desenrolar da trama também merece os parabéns, pois carrega muito bem os diálogos e o humor, desenvolvendo a história de maneira envolvente e engraçada. As tiradas de Megamente e de seu assistente são hilárias, nunca soando forçadas ou despropositadas. O filme nunca perde o ritmo, nunca se torna monótono. Pelo contrário. O filme passa de maneira tão natural e intensa que nem percebemos o passar do tempo.
      A trilha sonora é outro ponto alto da obra. Desde Guns n'Roses, passando por AC/DC, Ozzy Osbourne e encerrando com Michael Jackson, as músicas se encaixam perfeitamente ao filme.
      "Megamente" é um filme para toda a  família. Tem todos os pontos fortes que uma boa animação precisa ter. Personagens carismáticos, um clima alegre, piadas bem boladas e um ritmo intenso. Enfim, um conteúdo. Uma grata surpresa, se considerarmos muitas animações sem conteúdo lançadas nos últimos anos apenas para encher os cofres dos estúdios e vender produtos licenciados.



Opinião: "Querido John"


Avaliação:


Título original: Dear John
Gênero: Drama, romance
Ano de lançamento: 2010
Direção: Lasse Hallström
Elenco: Chaning Tatum
            Amanda Seyfried
            Richard Jenkins


      Nicholas Sparks é um escritor de sucesso. Praticamente todos os seus livros se tornaram best-sellers. E é claro que os estúdios de Hollywood viram em suas obras uma mina de ouro, daquelas quase inesgotáveis.
Começou em 1999, quando foi feito o primeiro filme baseado em uma obra de Sparks: "Uma Carta de Amor", praticamente desconhecido no Brasil. Mas foi o filme seguinte que confirmou o poder de bilheteria da obra de Sparks: "Um Amor para Recordar", inesperado sucesso de 2002. De lá para cá, mais cinco de seus livros foram adaptados para a tela grande: "O Diário de uma Paixão" (2004), talvez o melhor deles; "Noites de Tormenta" (2008); "A Última Música" (2010); "Querido John" (2010"; e seu mais recente, "Um Homem de Sorte" (2012). Sem contar "Safe Haven", ainda sem título no Brasil, que tem previsão de estreia para 2013.
      Todos esses filmes têm um ponto em comum: romance, muito romance, daqueles água-com-açúcar clássicos. Em "Querido John", filme dirigido pelo sueco Lasse Hallström, não é diferente. John (Chaning Tatum), é um soldado do exército americano de licença em sua cidade natal que conhece Savannah (Amanda Seyfried), uma universitária de férias na cidade litorânea. Os dois se aproximam, vivendo grandes momentos juntos. John tem um pai praticamente autista, Bill (Richard Jenkins), com o qual vive uma relação de poucas palavras. Savannah se aproxima de John, e frequentemente de Bill, para tentar ajudá-lo com sua doença. Até que John se vê obrigado a voltar para o serviço militar por mais um ano, quando sua obrigação de servir o país acaba. Para que a separação forçada não abale o relacionamento, eles decidem escrever cartas um para o outro diariamente.
      Perto do fim do prazo do serviço militar, Nova York sofre os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, abalando a confiança de John em voltar pra casa e abandonar seus companheiros de farda. É aí que entra uma questão importante: até que ponto o exército influencia as escolhas de um homem? A ligação entre o soldado e o exército é tão forte que o homem prefere arriscar sua vida em uma guerra a voltar para casa e ficar seguro com aqueles que o querem bem. Onde está a sanidade nisso? Como pode haver a preferência por arriscar sua vida no campo de batalha para tirar a vida de outros, tão humanos quanto ele? Mas infelizmente o filme não se aprofunda nessa questão. Prefere não criar polêmica e ver apenas o lado do mocinho patriota. Não que não seja honrado lutar por seu país, claro, já que cada um decide o que fazer da sua vida e escolhe fazer aquilo que gosta. Mas tirar a vida de semelhantes para defender um governo sanguinário que só quer vingança parece um tanto quanto egoísta.
      Sentindo o relacionamento abalado, Savannah decide enviar uma última carta a John, terminando o namoro. Aqui a atuação de Chaning Tatum merece crédito, mostrando-se consternado com a separação de forma convincente. O destaque do filme fica por conta de Richard Jenkins, que demonstra segurança interpretando o pai doente de John. E é justamente a relação entre pai e filho que traz o momento mais bonito do filme, quando John lê uma carta emocionante para o pai, já debilitado em uma cama de hospital.
      O filme segura bem o romance, mas a leitura das cartas e a distância forçada entre os protagonistas torna o filme por vezes maçante, monótono. O terceiro ato dá uma levantada no ritmo, mas não é o suficiente para salvar o final fraco e sem clímax. Com a história de um soldado obrigado a se separar de seu amor e de seu pai para enfrentar os perigos da guerra,o diretor Lasse Hallström tinha uma história promissora nas mãos, mas preferiu seguir a cartilha de trilha sonora tocante e dos momentos água-com-açúcar em vez de criar uma obra mais profunda e marcante. Talvez pelas obrigações da produtora, que quisesse a transcrição exata do livro para a tela. Não é um filme ruim, mas sinto que poderia ter sido melhor, se tivesse tido um controle menor do estúdio ou um diretor mais firme na condução da obra.


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Opinião: "Matrix"

Avaliação:

Título original: The Matrix
Gênero: Ação, ficção científica
Ano de lançamento: 1999
Direção: Andy Wachowski, Lana Wachowski
Elenco: Keanu Reeves
            Lawrence Fishburne
            Carrie-Anne Moss
            Hugo Weaving

      Imagine-se em um sonho, daqueles bem reais. E se você não pudesse acordar desse sonho? Como você distinguiria o sonho do mundo real? Essa é a premissa de "Matrix", ficção científica de 1999 dirigida pelos irmãos Wachowski que revolucionou o gênero. No filme, Neo (Keanu Reeves) é um homem com vida dupla: de dia, é Thomas A. Anderson, programador em uma empresa de tecnologia. À noite, um hacker famoso no mundo virtual. Mas sua vida muda quando ele encontra Morpheus (Lawrence Fishburne), conhecido no mundo real como um terrorista perigoso. Morpheus explica a ele o que é a Matrix, e oferece a ele a oportunidade de se aprofundar no assunto e se juntar à causa. Matrix é o nome de um programa criado pelas máquinas que tem como objetivo dar aos seres humanos a falsa ideia de realidade, criando um mundo de realidade virtual idêntico ao que estamos acostumados a oferecer. Seria como se vivêssemos em um constante sonho, sem a possibilidade de nos libertarmos. Parece absurdo? Pense nas sensações do dia-a-dia: dor, calor, frio, fome, sede, alegria, prazer. Tudo o que sentimos nada mais é do que impulsos elétricos enviados ao nosso cérebro. Não é tudo o que sentimos que é real. Nosso cérebro nos faz sentir que é, assim como... em um sonho.
      Existem dois mundos em Matrix: o mundo virtual, onde os humanos conectados ao programa vivem, como no ano de 1999. E o mundo real, esse em 2199, um lugar sombrio e devastado, onde o que sobrou da humanidade livre se uniu em uma resistência para livrar os outros do domínio das máquinas. No mundo real, existem "campos de cultivo", onde os seres humanos vivem presos à máquinas e cabos que transmitem o sinal de seu cérebro para dentro da Matrix, sem que esses percebam. Lá, segundo o filme,estamos todos nós, nus, sem pêlos pelo corpo, envolvidos em uma cápsula preenchida com líquidos, enquanto nosso cérebro vive aqui, no "mundo virtual", na Matrix. Confuso? Somente com algumas visitas e revisitas ao filme é que conseguimos captar todas as nuances e ideias da história. A fotografia do filme faz bem essa diferenciação do virtual e do real: se na Matrix o tom de cor do filme é verde, no mundo real o tom que predomina é o azul.
      Voltando a Neo, Morpheus o convence a seguí-lo, tomando a pílula vermelha, o que no mundo virtual seria um vírus capaz de desligá-lo da Matrix e liberá-lo do domínio das máquinas no mundo real. Neo então acorda no mundo real, nu, careca, e completamente confuso. É aí que Morpheus explica a ele tudo sobre a Matrix, e que Neo seria o Escolhido, uma "anomalia" no sistema de Matrix, aquele capaz de libertar os humanos do domínio das máquinas, levando-os ao mundo real.
      Mas existe, no mundo virtual, programas controlados pelas máquinas chamados de "Agentes". São programas de aparência humana, designados a manter o controle das máquinas na Matrix e a perseguir e destruir os renegados, humanos livres como Morpheus, que querem o fim do domínio de Matrix. Esses Agentes são programas poderosos, capazes de destruir paredes com um soco e até desviar de balas. Ao identificarem um renegado, são capazes de possuir o corpo de qualquer humano conectado à Matrix a fim de deterem seus inimigos. Ao ser explicado sobre a Matrix, Neo indaga a Morpheus se com o treinamento ele também poderá desviar de balas. Morpheus, por sua vez, responde que, quando estiver pronto, Neo nem precisará disso.
      Mas nem só de filosofia vive "Matrix". A parte técnica do filme é impecável, tanto que faturou quatro Oscars. Os efeitos visuais são primorosos, e foram copiados à exaustão nos anos seguintes. Mas nada foi mais copiado do que o famoso "bullet time", cena em que a câmera dá um giro de 360 graus enquanto Neo desvia das balas. Uma cena que já entrou para a história como uma das mais marcantes do cinema atual. Todo o aspecto visual, seus figurinos, os cenários do mundo real cuidadosamente construídos, só contribuem para que o filme se torne ainda mais perfeito, nos permitindo imergir ainda cada vez mais fundo nesse mundo de ideias. As cenas de ação são um espetáculo à parte. Cada explosão, cada luta, cada cena de combate foi primorosamente filmada. As cenas com lutas de kung fu são espetaculares, muito bem coreografadas. E as atuações não deixam a desejar. Keanu Reeves está seguro como o salvador da humanidade, ao passo que Lawrence Fishburne convence muito bem como seu mentor. Não deixando de citar, claro, Carrie-Anne Moss muito bem como Trinity, uma aliada de Morpheus que é apaixonada por Neo. Mas quem merece mesmo os aplausos é Hugo Weaving, que interpreta o Agente Smith, surgindo cada vez mais ameaçador a cada cena que aparece. Seu personagem é o mais rico do filme, um programa cansado do controle das máquinas, muito bem conduzido por Weaving.
      Por tudo isso e muito mais, "Matrix" merece figurar entre os melhores filmes de todos os tempos, misturando muito bem filosofia, ficção científica, efeitos especiais de primeira e kung fu. Abra sua mente. Tome a pílula vermelha.