quarta-feira, 4 de julho de 2012

Opinião: "Matrix Reloaded"


Avaliação:


Título original: The Matrix Reloaded
Gênero: Ação, ficção científica
Ano de lançamento: 2003
Direção: Andy Wachowski, Lana Wachowski
Elenco: Keanu Reeves
            Lawrence Fishburne
            Carrie-Anne Moss
            Hugo Weaving

      Assim que foi lançado, em 1999, "Matrix" subverteu o gênero de ação, com efeitos especiais espetaculares e cenas de impacto. Também se tornou um marco na ficção científica, com uma trama bem elaborada. Devido ao grande sucesso, a trilogia imaginada pelos irmãos Wachowski ganhou forma. O problema para eles seria superar aquilo que já havia sido feito, reinventando a Matrix. De certa forma conseguiram, continuando a história da guerra contra as máquinas e usando do que tem de mais moderno no que dizia respeito aos efeitos especiais.
      Em "Matrix Reloaded", somos apresentados a novos elementos que contribuem para enriquecer ainda mais o brilhante universo criado pelos irmãos Wachowski. Durante uma reunião dos comandantes das naves da resistência, Morpheus pede que um dos líderes das naves fique na Matrix e não volte para Zion, o último reduto da humanidade livre, a fim de esperar um contato do Oráculo. Nessa reunião, Neo percebe a aproximação dos Agentes, que invadem o local. Cada vez mais seguro de seus poderes e de seu papel na revolução, Neo luta com eles de forma até burocrática, sem se sentir ameaçado.
      Neo chega pela primeira vez a Zion, e se depara com uma verdadeira adoração a ele. Os habitantes da cidade o tratam como o verdadeiro Messias, reunindo-se em volta dele, oferecendo-lhe presentes fazendo-lhe pedidos.
      Os líderes das naves são informados de que as máquinas estão perfurando os muros de Zion acompanhadas de 250.000 sentinelas, e invadirão a cidade em questão de horas. Por esse motivo, a cidade deveria ter o máximo de naves juntas, para ajudar no combate inevitável. Enquanto isso, Neo recebe o chamado do Oráculo e parte para a Matrix. Antes de conseguir falar com o Oráculo, Neo tem que participar de uma luta com seu guardião, Seraph, que dá a desculpa de que precisava lutar com ele para saber se ele era Neo. O momento mais sem propósito do filme.
      É na conversa com Oráculo que descobrimos as coisas mais interessantes sobre a Matrix. Oráculo revela que é um programa da própria Matrix criado para entender os sentimentos humanos, que mudou de lado e passou a ajudá-los. Explica também que tudo na Matrix é gerenciado por um programa específico: os ventos, os animais, a chuva. Quando um programa não cumpre seu propósito corretamente, ele é deletado e substituído por outro, criando anomalias no sistema que são conhecidas pelos humanos como fantasmas, lobisomens, e outras coisas "sobrenaturais".
      Oráculo informa a Neo que ele precisa encontrar o Chaveiro, um programa que faz "chaves" (na verdade, as "chaves" criadas pelo chaveiro nada mais são do que atalhos a outros lugares da Matrix; assim sendo, é mais fácil entender o conceito de que uma porta se fecha em um lugar e quando é aberta mostra um lugar completamente diferente). O Chaveiro criaria uma chave para que Neo acessasse a fonte das máquinas, onde ele reiniciaria o sistema e destruiria a Matrix da maneira como ele a conhece. Mas o Chaveiro está aprisionado por Merovíngio, um programa poderoso e inescrupuloso, que detém alguns seres (leia-se programas) bizarros sob seu comando. Esses seres são criaturas de outras versões da Matrix, que deveriam ter sido excluídos, mas de alguma maneira ficaram exilados, sob o controle de Merovíngio.
      Eis que surge o agente Smith, que havia sido destruído por Neo no filme anterior. Agora ele retorna como um vírus capaz de se replicar ao entrar em contato físico com qualquer pessoa conectada à Matrix. Smith e (mais umas cem cópias de si mesmo) encontra Neo e começa uma bela batalha. A cena é criada basicamente por computação gráfica, criando planos impossíveis de serem criados em uma filmagem convencional. Mas é justamente a computação gráfica que demonstra a artificialidade da cena, não nos permitindo acreditar completamente.
      Mas a melhor cena do filme é a da perseguição na rodovia. Uma cena longa, mas que em nenhum momento fica cansativa. Tomadas empolgantes, de tirar o fôlego, marcam essa sequência memorável. Os efeitos especiais do filme são excelentes, principalmente nessa cena.
      Tendo mais uma vez o roteiro como seu ponto forte, o filme levanta várias novas questões intrigantes e nos apresenta a mais personagens fascinantes. A trama com várias reviravoltas é sempre tensa, nunca perdendo o ritmo. Levantando a história e preparando o terreno para o final da saga, cria muitas expectativas, especialmente sobre o embate final entre Neo e Smith. Com esse filme, os reclusos irmãos Wachowski reforçaram ainda mais o rótulo de revolucionários, aumentando o alcance (e a arrecadação) de sua obra.




terça-feira, 3 de julho de 2012

Opinião: "Megamente"


Avaliação:

Título original: Megamind
Gênero: Animação, comédia
Ano de lançamento: 2010
Direção: Tom McGrath
Elenco (vozes): Will Ferrell
                        Tina Fey
                        Brad Pitt
                        David Cross
                        Jonah Hill

      Já faz muito tempo que filmes de animação deixaram de ser coisa de criança. Desde "O Rei Leão", e depois dele "Procurando Nemo", que somos brindados com animações cada vez mais bem feitas, com roteiros bem elaborados e um humor feito não só para agradar crianças, mas também os adultos. Isso é mais do que comprovado em "Megamente", animação de 2010 que conta a história do personagem-título, um ser cabeçudo e azul que é enviado à Terra ainda criança, após a destruição de seu planeta. Para o seu azar, sua nave cai em uma prisão, e ele tem sua personalidade moldada pelos criminosos com quem ele convive. Metro Man (voz de Brad Pitt no original) vem para a Terra junto dele, mas tem a sorte de sua nave cair em uma mansão, e ele passa a ser cuidado por uma família rica e bem-educada.
      Megamente e Metro Man passam a nutrir uma rivalidade desde crianças, quando já na escola competiam por atenção: Megamente era o mais inteligente, mas tinha azar. Já seu algoz era o mais forte, e conquistava as professoras e as alunas, deixando-o cada vez mais humilhado. O tempo passa, e a rivalidade aumenta. Metro Man se torna o herói de Metro City, enquanto Megamente usa seu cérebro avantajado bolando planos mirabolantes para destruir seu inimigo.
      Diferentemente das outras histórias de super-heróis, aqui o protagonista é o vilão, um ser azarado, carismático e engraçado, que apesar de ser "do mal" nunca consegue meter medo de verdade. Já Metro Man é o herói canastrão, orgulhoso, cheio de si, praticamente o Superman. Esse, por sinal, é o grande homenageado do filme. Desde a viagem para a Terra depois da destruição de um planeta, passando pelo rosto e a personalidade de Metro Man, até o nome da cidade, Metro City, a qual Megamente insiste em chamar de Metrócity, uma clara alusão a Metrópolis, a cidade do Homem-de-Aço.
      Existe entre os dois inimigos mortais a figura feminina frágil: Roxanne Ritchie (na dublagem brasileira, virou Rosana Rocha), a repórter que sempre cai nas garras do vilão e precisa ser salva pelo herói (olha aí a representação da Lois Lane). Ela tem um assistente, Hal, um cinegrafista atrapalhado que desempenhará um papel importante na trama.
      Voltando à história: durante a inauguração do Memorial Metro Man, Roxanne é sequestrada e o herói precisa salvá-la. Mas acontece o que ninguém esperava, nem mesmo Megamente: Metro Man cai na armadilha e é destruído. Megamente tem, então, toda a cidade para ele. No começo ele aproveita como pode o status de todo-poderoso de Metro City, mas passado algum tempo ele começa a sentir falta de um inimigo, alguém com quem competir, alguém com quem lutar. Ao passo que começa a se apaixonar por Rosana, conquistando-a usando uma identidade falsa.
      "Megamente" como animação é muito bem feito, seja no desenho perfeito da cidade, seja na criação dos personagens; visualmente bem encaixado, sem parecer artificial ou exagerado demais. O desenrolar da trama também merece os parabéns, pois carrega muito bem os diálogos e o humor, desenvolvendo a história de maneira envolvente e engraçada. As tiradas de Megamente e de seu assistente são hilárias, nunca soando forçadas ou despropositadas. O filme nunca perde o ritmo, nunca se torna monótono. Pelo contrário. O filme passa de maneira tão natural e intensa que nem percebemos o passar do tempo.
      A trilha sonora é outro ponto alto da obra. Desde Guns n'Roses, passando por AC/DC, Ozzy Osbourne e encerrando com Michael Jackson, as músicas se encaixam perfeitamente ao filme.
      "Megamente" é um filme para toda a  família. Tem todos os pontos fortes que uma boa animação precisa ter. Personagens carismáticos, um clima alegre, piadas bem boladas e um ritmo intenso. Enfim, um conteúdo. Uma grata surpresa, se considerarmos muitas animações sem conteúdo lançadas nos últimos anos apenas para encher os cofres dos estúdios e vender produtos licenciados.



Opinião: "Querido John"


Avaliação:


Título original: Dear John
Gênero: Drama, romance
Ano de lançamento: 2010
Direção: Lasse Hallström
Elenco: Chaning Tatum
            Amanda Seyfried
            Richard Jenkins


      Nicholas Sparks é um escritor de sucesso. Praticamente todos os seus livros se tornaram best-sellers. E é claro que os estúdios de Hollywood viram em suas obras uma mina de ouro, daquelas quase inesgotáveis.
Começou em 1999, quando foi feito o primeiro filme baseado em uma obra de Sparks: "Uma Carta de Amor", praticamente desconhecido no Brasil. Mas foi o filme seguinte que confirmou o poder de bilheteria da obra de Sparks: "Um Amor para Recordar", inesperado sucesso de 2002. De lá para cá, mais cinco de seus livros foram adaptados para a tela grande: "O Diário de uma Paixão" (2004), talvez o melhor deles; "Noites de Tormenta" (2008); "A Última Música" (2010); "Querido John" (2010"; e seu mais recente, "Um Homem de Sorte" (2012). Sem contar "Safe Haven", ainda sem título no Brasil, que tem previsão de estreia para 2013.
      Todos esses filmes têm um ponto em comum: romance, muito romance, daqueles água-com-açúcar clássicos. Em "Querido John", filme dirigido pelo sueco Lasse Hallström, não é diferente. John (Chaning Tatum), é um soldado do exército americano de licença em sua cidade natal que conhece Savannah (Amanda Seyfried), uma universitária de férias na cidade litorânea. Os dois se aproximam, vivendo grandes momentos juntos. John tem um pai praticamente autista, Bill (Richard Jenkins), com o qual vive uma relação de poucas palavras. Savannah se aproxima de John, e frequentemente de Bill, para tentar ajudá-lo com sua doença. Até que John se vê obrigado a voltar para o serviço militar por mais um ano, quando sua obrigação de servir o país acaba. Para que a separação forçada não abale o relacionamento, eles decidem escrever cartas um para o outro diariamente.
      Perto do fim do prazo do serviço militar, Nova York sofre os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, abalando a confiança de John em voltar pra casa e abandonar seus companheiros de farda. É aí que entra uma questão importante: até que ponto o exército influencia as escolhas de um homem? A ligação entre o soldado e o exército é tão forte que o homem prefere arriscar sua vida em uma guerra a voltar para casa e ficar seguro com aqueles que o querem bem. Onde está a sanidade nisso? Como pode haver a preferência por arriscar sua vida no campo de batalha para tirar a vida de outros, tão humanos quanto ele? Mas infelizmente o filme não se aprofunda nessa questão. Prefere não criar polêmica e ver apenas o lado do mocinho patriota. Não que não seja honrado lutar por seu país, claro, já que cada um decide o que fazer da sua vida e escolhe fazer aquilo que gosta. Mas tirar a vida de semelhantes para defender um governo sanguinário que só quer vingança parece um tanto quanto egoísta.
      Sentindo o relacionamento abalado, Savannah decide enviar uma última carta a John, terminando o namoro. Aqui a atuação de Chaning Tatum merece crédito, mostrando-se consternado com a separação de forma convincente. O destaque do filme fica por conta de Richard Jenkins, que demonstra segurança interpretando o pai doente de John. E é justamente a relação entre pai e filho que traz o momento mais bonito do filme, quando John lê uma carta emocionante para o pai, já debilitado em uma cama de hospital.
      O filme segura bem o romance, mas a leitura das cartas e a distância forçada entre os protagonistas torna o filme por vezes maçante, monótono. O terceiro ato dá uma levantada no ritmo, mas não é o suficiente para salvar o final fraco e sem clímax. Com a história de um soldado obrigado a se separar de seu amor e de seu pai para enfrentar os perigos da guerra,o diretor Lasse Hallström tinha uma história promissora nas mãos, mas preferiu seguir a cartilha de trilha sonora tocante e dos momentos água-com-açúcar em vez de criar uma obra mais profunda e marcante. Talvez pelas obrigações da produtora, que quisesse a transcrição exata do livro para a tela. Não é um filme ruim, mas sinto que poderia ter sido melhor, se tivesse tido um controle menor do estúdio ou um diretor mais firme na condução da obra.


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Opinião: "Matrix"

Avaliação:

Título original: The Matrix
Gênero: Ação, ficção científica
Ano de lançamento: 1999
Direção: Andy Wachowski, Lana Wachowski
Elenco: Keanu Reeves
            Lawrence Fishburne
            Carrie-Anne Moss
            Hugo Weaving

      Imagine-se em um sonho, daqueles bem reais. E se você não pudesse acordar desse sonho? Como você distinguiria o sonho do mundo real? Essa é a premissa de "Matrix", ficção científica de 1999 dirigida pelos irmãos Wachowski que revolucionou o gênero. No filme, Neo (Keanu Reeves) é um homem com vida dupla: de dia, é Thomas A. Anderson, programador em uma empresa de tecnologia. À noite, um hacker famoso no mundo virtual. Mas sua vida muda quando ele encontra Morpheus (Lawrence Fishburne), conhecido no mundo real como um terrorista perigoso. Morpheus explica a ele o que é a Matrix, e oferece a ele a oportunidade de se aprofundar no assunto e se juntar à causa. Matrix é o nome de um programa criado pelas máquinas que tem como objetivo dar aos seres humanos a falsa ideia de realidade, criando um mundo de realidade virtual idêntico ao que estamos acostumados a oferecer. Seria como se vivêssemos em um constante sonho, sem a possibilidade de nos libertarmos. Parece absurdo? Pense nas sensações do dia-a-dia: dor, calor, frio, fome, sede, alegria, prazer. Tudo o que sentimos nada mais é do que impulsos elétricos enviados ao nosso cérebro. Não é tudo o que sentimos que é real. Nosso cérebro nos faz sentir que é, assim como... em um sonho.
      Existem dois mundos em Matrix: o mundo virtual, onde os humanos conectados ao programa vivem, como no ano de 1999. E o mundo real, esse em 2199, um lugar sombrio e devastado, onde o que sobrou da humanidade livre se uniu em uma resistência para livrar os outros do domínio das máquinas. No mundo real, existem "campos de cultivo", onde os seres humanos vivem presos à máquinas e cabos que transmitem o sinal de seu cérebro para dentro da Matrix, sem que esses percebam. Lá, segundo o filme,estamos todos nós, nus, sem pêlos pelo corpo, envolvidos em uma cápsula preenchida com líquidos, enquanto nosso cérebro vive aqui, no "mundo virtual", na Matrix. Confuso? Somente com algumas visitas e revisitas ao filme é que conseguimos captar todas as nuances e ideias da história. A fotografia do filme faz bem essa diferenciação do virtual e do real: se na Matrix o tom de cor do filme é verde, no mundo real o tom que predomina é o azul.
      Voltando a Neo, Morpheus o convence a seguí-lo, tomando a pílula vermelha, o que no mundo virtual seria um vírus capaz de desligá-lo da Matrix e liberá-lo do domínio das máquinas no mundo real. Neo então acorda no mundo real, nu, careca, e completamente confuso. É aí que Morpheus explica a ele tudo sobre a Matrix, e que Neo seria o Escolhido, uma "anomalia" no sistema de Matrix, aquele capaz de libertar os humanos do domínio das máquinas, levando-os ao mundo real.
      Mas existe, no mundo virtual, programas controlados pelas máquinas chamados de "Agentes". São programas de aparência humana, designados a manter o controle das máquinas na Matrix e a perseguir e destruir os renegados, humanos livres como Morpheus, que querem o fim do domínio de Matrix. Esses Agentes são programas poderosos, capazes de destruir paredes com um soco e até desviar de balas. Ao identificarem um renegado, são capazes de possuir o corpo de qualquer humano conectado à Matrix a fim de deterem seus inimigos. Ao ser explicado sobre a Matrix, Neo indaga a Morpheus se com o treinamento ele também poderá desviar de balas. Morpheus, por sua vez, responde que, quando estiver pronto, Neo nem precisará disso.
      Mas nem só de filosofia vive "Matrix". A parte técnica do filme é impecável, tanto que faturou quatro Oscars. Os efeitos visuais são primorosos, e foram copiados à exaustão nos anos seguintes. Mas nada foi mais copiado do que o famoso "bullet time", cena em que a câmera dá um giro de 360 graus enquanto Neo desvia das balas. Uma cena que já entrou para a história como uma das mais marcantes do cinema atual. Todo o aspecto visual, seus figurinos, os cenários do mundo real cuidadosamente construídos, só contribuem para que o filme se torne ainda mais perfeito, nos permitindo imergir ainda cada vez mais fundo nesse mundo de ideias. As cenas de ação são um espetáculo à parte. Cada explosão, cada luta, cada cena de combate foi primorosamente filmada. As cenas com lutas de kung fu são espetaculares, muito bem coreografadas. E as atuações não deixam a desejar. Keanu Reeves está seguro como o salvador da humanidade, ao passo que Lawrence Fishburne convence muito bem como seu mentor. Não deixando de citar, claro, Carrie-Anne Moss muito bem como Trinity, uma aliada de Morpheus que é apaixonada por Neo. Mas quem merece mesmo os aplausos é Hugo Weaving, que interpreta o Agente Smith, surgindo cada vez mais ameaçador a cada cena que aparece. Seu personagem é o mais rico do filme, um programa cansado do controle das máquinas, muito bem conduzido por Weaving.
      Por tudo isso e muito mais, "Matrix" merece figurar entre os melhores filmes de todos os tempos, misturando muito bem filosofia, ficção científica, efeitos especiais de primeira e kung fu. Abra sua mente. Tome a pílula vermelha.


sábado, 30 de junho de 2012

Opinião: Os "Vingadores"


Avaliação:



Título original: The Avengers
Gênero: Ação, aventura
Ano de lançamento: 2012
Direção: Joss Whedon
Elenco: Robert Downey Jr.
            Chris Evans
            Chris Hemsworth
            Mark Ruffalo
            Samuel L. Jackson
            Jeremy Renner
            Scarlett Johansson

      Joss Whedon tinha uma carreira sólida na TV. Foi o criador de duas séries de sucesso: "Buffy - A Caça-Vampiros" e "Angel", também sobre sugadores de sangue. Seu único filme até hoje tinha sido "Serenity", de 2005, além de assinar alguns roteiros. Mas certamente seu trabalho mais marcante é esse "Os Vingadores", filme que catapultou seu nome entre os grandes de Hollywood.
      O filme já começa com uma vertiginosa cena de ação, onde Loki chega à Terra em busca do Tesseract, um artefato poderoso capaz de abrir um portal para outra galáxia. Ele rouba o artefato da sede da S.H.I.E.L.D. (agência secreta do governo norte-americano), hipnotiza o Gavião Arqueiro e parte em busca de concretizar seu plano: usar o Tesseract para trazer um poderoso exército intergálactico para a Terra, para dominá-la. Desesperado, o líder da S.H.I.E.L.D, Nick Fury (Samuel L. Jackson), convoca os principais heróis da Terra: Hulk, Capitão América, Homem-de-Ferro, Thor e Viúva Negra.
      Quem acompanhou as séries criadas por Joss Whedon sabe que o humor está presente em praticamente todas as cenas. E nesse filme não é diferente. Cada cena é repleta de bom humor, aliviando um pouco a tensão dos acontecimentos. Robert Downey Jr. rouba todas as cenas em que aparece, cheio de ironia e respostas rápidas. Mas os outros não ficam muito longe. Um diálogo entre Thor e a Viúva Negra é possivelmente um dos mais engraçados do filme:
- Ele é meu irmão - diz Thor.
- Ele matou oitenta pessoas em dois dias - responde a Viúva Negra.
- Ele é adotado - rebate Thor.
      Mas o melhor fica por conta da luta entre Hulk e Loki. Quem assistir saberá do que estou falando.
      Muitos reclamam que não houve tempo para o desenvolvimento dos personagens. Mas há a defesa de que "Os Vingadores" é  a continuação dos filmes solo de cada herói principal do grupo. Todos no filme têm sua importância, não sendo deixados de lado nem o gavião Arqueiro nem a Viúva Negra, os únicos heróis que não tiveram filmes exclusivos.
      Há elementos importantes de cada filme inserido em "Os Vingadores". O vilão vem do filme de "Thor", e o artefato procurado por ele vem do filme do "Capitão América". Mas não há a obrigação de se assistir os filmes anteriores para entender esse filme, por conta da trama simples e bem mastigada.
      Os aspectos técnicos do filme são irrepreensíveis. Os efeitos visuais são grandiosos, de tirar o fôlego. As cenas são muito bem filmadas, nos deixando acompanhar tudo o que acontece na tela. A montagem não é frenética, como em alguns filmes atuais (cof, cof, Transformers), nos permitindo visualizar os detalhes e a grandiosidade de cada cena.
      "Os Vingadores" tem um ritmo envolvente, não se tornando monótono em momento algum. As cenas mais paradas têm a duração certa para dar uma quebrada na ação, mas sem deixar a peteca cair.
      Se em "Homem-de-Ferro 2" tivemos um final um tanto quanto decepcionante, por conta da luta final ser curta e sem muito dinamismo, aqui temos um terceiro ato empolgante, com uma batalha explosiva que destrói meia Nova York.
      Por que não dei cinco estrelas? Apesar de ser um filme excelente, com todos os requisitos para uma aventura nota dez, "Os Vingadores" não chega à profundidade dos melhores do gênero de super-heróis, como os "X-Men", os filmes do "Batman" do Christopher Nolan ou as duas primeiras aventuras do "Homem-Aranha".
      Mas isso não tira o mérito de "Os Vingadores", um filme extremamente divertido e merecedor da maior bilheteria de 2012.

Opinião: "Temos Vagas"


Avaliação:
Título original: Vacancy
Gênero: Terror, suspense
Ano de lançamento: 2007
Direção: Nimród Antal
Elenco: Kate Backinsale
            Luke Wilson
            Frank Whaley

      Não se engane pelo trailer. Temos Vagas promete algo que nunca cumpre: bons sustos e uma história razoável. No filme, David (Luke Wilson) e Amy (Kate Backinsale) voltam de uma festa por uma rodovia praticamente deserta, depois de o homem ter decidido pegar um "atalho". Após um problema no carro, eles param em um posto de gasolina abandonado (POR QUÊ???) e encontram um "mecânico" disposto a ajudar sem cobrar nada em troca. Após apenas alguns metros, o carro pifa de vez e eles se vêem obrigados a voltar a pé ao posto, procurando o suposto mecânico, que já não estava mais lá. Sem sinal no celular, decidem, então, passar a noite num hotel sem hóspedes, que tem um gerente um tanto quanto estranho. Depois de se acomodarem no quarto "Lua de Mel", David coloca algumas fitas  no videocassete e descobre que esse hotel é mais perigoso do que eles imaginavam: pessoas foram assassinadas naqueles quartos, e filmadas por assassinos sádicos.
      Agora, vamos às questões: primeiro: por que pegar um atalho por uma estrada que você não conhece? Segundo: se você está passando por uma rodovia que não conhece, e seu carro começa a apresentar barulhos estranhos, por que você procura um posto de gasolina abandonado, à noite,  para que uma pessoa que você nunca viu mexa no seu carro sem cobrar nada? São esses absurdos que esse roteiro mínimo quer que acreditemos.
      A primeira metade do filme é até interessante. A crise do casal soa convincente, graças à atuação de Kate Beckinsale, já que seu marido na trama não consegue muito mais do que umas caretas de dor. Mas depois disso, somos brindados com aquelas cenas onde falamos: "O que você vai fazer aí, imbecil?", "Sai daí, ele vai te matar!". É o cúmulo da paciência.
      É o filme de estreia do diretor norte-americano Nimród Antal, que em seguida viria a dirigir o também fraco "Predadores". É uma direção básica, sem floreios, como um suspense qualquer.
            Apesar de possuir boas cenas de ação e ter uma certa dose de tensão, o filme não consegue segurar as pontas por seus curtos 85 minutos de duração. Quando um filme tão curto nos faz olhar para o relógio e nos perguntarmos se falta muito, é porque nosso interesse nele já morreu. Uma pena, pois o trailer é melhor que o filme. Esquecível.
 

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Primeiros passos

   Olá, pessoal. Sou um cinéfilo de carteirinha. e há algum tempo tenho tido ideias e divagações sobre os filmes que gosto - e até os que não gosto. Até que criei coragem para dividir meus pensamentos sobre cinema criando esse blog. Então, esse será o local onde farei comentários e pequenas resenhas sobre os melhores - e piores - filmes da história do Cinema.
   Acompanhe o Cine Absoluto. Garanto que quem gosta mesmo de cinema não vai se arrepender.