segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Opinião: "X-Men: Primeira Classe"

Avaliação:




Título original: X-Men: First Class
Gênero: Aventura, ficção científica
Ano de lançamento: 2011
Direção: Matthew Waughn
Elenco: James McAvoy
            Michael Fassbender
            Jennifer Lawrence
            Kevin Bacon
 
      Existe uma sociedade onde minorias são perseguidas, atacadas e oprimidas pelos humanos que se julgam normais, humanos que consideram os "diferentes" como sendo inferiores, ou por agirem de forma "errada", como se tivessem escolhido viver dessa maneira, sem pensar que essa minoria perseguida também é normal, humana. A classe dominante, em maior número, age com ódio e racismo, excluindo os "diferentes" de seus grupos sociais. Não, eu não estou falando dos negros, gays, ateus, ou qualquer outra minoria, por mais que possam claramente ser identificadas com as frases acima. Estou falando dos mutantes, brilhantes criações de Stan Lee e Jack Kirby na década de 1960, auge da luta pelos direitos dos negros nos EUA. A criação desses heróis dos quadrinhos refletia a época de insegurança vivida pelos negros, relegados à margem da sociedade americana, e ecoa até hoje, com qualquer minoria que se possa considerar.
      O que nos leva a "X-Men: Primeira Classe", quinto filme da franquia dos mutantes nas telonas.Os três primeiros longas retrataram bem o racismo e a busca pela aceitação dos mutantes na sociedade, algo que fora deixado de lado no quarto, "X-Men Origens: Wolverine", mas que retorna com força total no longa de 2011. Logo de início, já podemos traçar um paralelo com a perseguição às minorias, quando vemos nazistas subjugando judeus nos campos de concentração. A cena, idêntica à do primeiro longa, mostra Eric Lensherr sendo separado de seus pais e dando as primeiras demonstrações de seus poderes magnéticos. Já crescido, Lensherr (Michael Fassbender) segue uma vida de ódio, perseguindo os nazistas e buscando a todo custo o responsável pela morte de seus pais.
      Paralelamente a isso, temos Charles Xavier (James McAvoy) na sua tenra juventude, como um jovem galanteador, inteligente, com longos cabelos e ainda andando com suas próprias pernas. É aí que se encontram os dois antagonistas:  Eric entende que os diferentes como ele não são aceitos na sociedade, e tem como objetivo o rompimento total com a raça humana, enquanto Xavier busca o entendimento entre as duas "raças", querendo usar o embate ideológico em vez do embate físico. Os dois buscam a mesma coisa, a aceitação da espécie mutante, mas idealizam meios diferentes para alcançarem tal ideal.
       Xavier e Eric tem um inimigo em comum: Sebastian Shaw (Kevin Bacon), um mutante ganancioso, capaz de absorver qualquer tipo de energia, e que pretende deflagrar uma guerra entre EUA e União Soviética para dominar o que sobrar do mundo depois do combate. Foi inserido aqui um acontecimento real, a crise dos mísseis de Cuba, nos anos 1960, misturando mais ainda ficção e realidade.
      Além do ótimo roteiro, escrito por seis pessoas (algo que raramente dá certo), o filme é repleto de aventura da melhor qualidade. O diretor Matthew Waughn, responsável pelo também ótimo "Kick Ass - Quebrando Tudo", comanda otimamente as cenas de ação, sem cair no lugar-comum, e os efeitos visuais impecáveis são de encher os olhos. O humor também tem seu espaço, como quando Hank McCoy pergunta se Xavier não quer raspar o cabelo, ou quando os mutantes mais jovens fazem brincadeiras com seus poderes na base militar. Interessante, também, é a cena na qual Raven sugere os nomes dos mutantes, mas a cena mais impagável de todas é a breve aparição de Wolverine (Hugh Jackman), que, com uma frase, é capaz de arrancar gargalhadas.
      Mas o carro-chefe de "X-Men: Primeira Classe" é a riqueza de seus personagens. Jennifer Lawrence, por exemplo, nos traz uma jovem Raven/Mística sincera, brincalhona, mas temerosa com a falta de aceitação da sociedade. Por ter o poder de se tornar qualquer pessoa, ela prefere mostrar sua aparência humana a aceitar o fato de que é, na verdade, uma mulher azul e escamosa, o que, ao seu ver, assusta os humanos. Xavier está em paz com seus poderes, e seu dom de professor fica evidente ao treinar seus colegas para enfrentar os inimigos. E, acima de tudo, é empolgante ver que um homem tão responsável, talvez o mais sensato dos X-Men, tenha tido uma juventude normal, com eventuais bebedeiras e paqueras.
      Os outros mutantes também são personagens ricos, com seus medos e inseguranças, exceto Azazel, mutante em forma de demônio que tem duas ou três falas, no máximo, servindo apenas como o capanga do vilão. Mas o mais admirável é, sem dúvida, Eric Lensherr, o Magneto. Michael Fassbender, assim como Ian McKellen, consegue retratar todas as nuances do personagem, que por mais que seja cruel e explosivo, pode ter todas as suas atitudes justificadas de acordo com o sofrimento ao qual já fora sujeitado. É por isso que Magneto, ao meu ver, não é um vilão, mas sim um mutante sofrido, que busca a vingança como modo de aplacar a perseguição sofrida por toda a vida.
      Para finalizar, "X-Men: Primeira Classe" pode ser considerado o melhor filme dos mutantes até aqui, já que une de maneira excepcional a aventura característica dos filmes de super-heróis com o debate pelo respeito às minorias. Com certeza, um entretenimento de altíssimo nível.


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Opinião: "Os Croods"

Avaliação:

Título original: The Croods
Gênero: Animação
Ano de lançamento: 2013
Direção: Kirk DeMicco
             Chris Sanders
Elenco: Nicolas Cage
            Ryan Reynolds
            Emma Stone
            Catherine Keener


      Se há algo comum a todos os filmes produzidos pela DreamWorks Animations é o carisma de seus personagens. O estúdio responsável pelas franquias de sucesso "Shrek", "Madagascar" e "Kung Fu Panda" tem, assim como sua concorrente Pixar, a capacidade de entreter a todos os públicos, sem mirar num alvo específico. Seus longas agradam tanto aos baixinhos quanto aos altinhos, e com "Os Croods" não poderia ser diferente.
      O longa se passa em plena Idade da Pedra, onde o pai de família Grug (dublado por Nicolas Cage no original) defende sua família o quanto pode, incutindo na mente de seus protegidos que a caverna é segura, o mundo é perigoso e o "novo é ruim". (Pode-se aí fazer uma ligação com a superproteção a qual alguns pais submetem seus filhos, onde mesmo querendo sempre o melhor para eles, acabam privando-os da diversão e das descobertas. Não que o liberalismo seja bom, já que conhecemos muitos casos em que pais mantiveram "rédeas soltas" com seus filhos na infância e acabaram perdendo o controle em seguida, mas avalia-se que deve haver um equilíbrio natural entre o "proteger" e o "liberar"). É quando a filha mais velha, Eep (Emma Stone), começa a se perguntar sobre o que há lá fora à noite, e acaba descobrindo Guy (Ryan Reynolds), um jovem que a alerta sobre o "fim do mundo".
      O filme tem belas sacadas sobre a evolução humana, como a diferença entre o pensamento primitivo dos neandertais (Grug e sua família) e a criatividade do homo sapiens Guy), lembrando ainda do controle do fogo e dos primeiros animais de estimação. Nesse quesito, também, há o fim do mundo ao qual Guy se refere, que nada mais é do que a separação da Pangeia e a formação dos continentes como conhecemos hoje. Além disso, a produção cria cenários deslumbrantes e muito diferentes entre si, como a "selva de pedra" onde os protagonistas residiam inicialmente e a floresta colorida descoberta no segundo ato, que traz uma vasta gama de animais selvagens um pouco (mas não muito) diferentes dos que hoje existem.
      Mas se há algo que não falta em "Os Croods" é a aventura. A jornada dos personagens em busca de um novo lar é empolgante, movimentada, não deixando a desejar nem na ação e nem na animação em si, completamente fluida e de encher os olhos. Aqui, incluem-se as caçadas comandadas por Grug, estratégicas, usando até princípios do futebol americano, e as várias cenas de perseguição protagonizadas por felinos gigantes. O humor, como não devia deixar de ser, está presente em abundância, seja na implicância do genro com a sogra, ou no vício das mulheres por sapatos (desde a Idade da Pedra, como sugere o filme), não esquecendo, é claro, de Braço, uma preguiça carismática e hilária, que por vezes serve de cinto a Guy.
      Em suma, "Os Croods" é, como quase todos os filmes da DreamWorks Animations, uma animação muito bem feita, que diverte e agrada na medida certa, sem deixar a peteca cair e sem deixar a chama do humor se apagar. Espero que o estúdio continue sendo responsável por longas divertidíssimos como esse, e como "Megamente", "Como Treinar seu Dragão", "Bee Movie", Por Água Abaixo"... E por aí vai.



quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Opinião: Caso 39

Avaliação:





Título original: Case 39
Gênero: Terror, suspense
Ano de lançamento: 2009
Direção: Christian Alvart
Elenco: Renée Zellweger
            Jodelle Ferland
            Ian McShane
            Bradley Cooper

      Em 2009, foi lançado nos cinemas o suspense "Caso 39", do diretor alemão Christian Alvart. O longa conta a história de Emily (Renée Zellweger), uma assistente social responsável por 38 casos de crianças maltratadas pelos pais. Mas, quando ela é incumbida de seu trigésimo nono caso, seus problemas começam a surgir. Entra em sua vida Lily, vivida pela jovem Jodelle Ferland, que sofre nas mãos de seus pais. Comovida com a história da garota, a assistente passa a dar mais atenção ao caso, principalmente depois que os pais tentam matar a criança ao colocá-la dormindo em um forno.
      Com uma premissa atrativa, a da garota maltratada que não é o que aparenta ser, o longa aposta em uma atmosfera de tensão construída aos poucos, evitando dar todas as respostas antes do seu segundo ato, onde coisas estranhas começam a acontecer, como o brutal assassinato cometido por uma das crianças assistidas por Emily. O desenrolar da história é interessante, passando do drama quase policial ao suspense de maneira orgânica, sem sobressaltos.
     Bradley Cooper interpreta Douglas J. Ames, um psicólogo que trata das crianças assistidas por Emily, até se tornar vítima da pior delas. Ainda temos Ian McShane como o detetive Mike Barron, que sempre tenta fazer o certo até ser impelido a usar a força bruta, mas sem sucesso. Falando sobre o elenco, temos a atuação regular de Reneé Zellweger, para não dizer irritante, principalmente devido à infantilização de sua voz. Mas quem rouba a cena é Jodelle Ferland, que passa de mocinha a vilã com uma naturalidade espantosa. No início, sua Lily é meiga e inocente, conquistando a assistente social até ser adotada. Em seguida, ao começar a fazer suas maldades, a jovem mostra grande maturidade e realmente impressiona.
             Uma pena que o roteiro aposte em alguns sustos fáceis na tentativa de chamar a atenção de seu público, desviando a atenção dos verdadeiros problemas do longa. Clichês são comuns na trama, como entrar no carro para fugir de algo sem perceber que seu inimigo está no banco de trás, ou batidas no vidro do carro em um plano fechado, apenas com o intuito de assustar. Com pouquíssimos sustos verdadeiros, a tensão bem construída no começo acaba ficando por lá mesmo, com o terceiro ato descambando para o terror e as perseguições. Mas vale também destacar a coragem da decisão final de Emily, sem apelar para o politicamente correto e sem deixar o final em aberto para possíveis continuações. Se bem que, com o fracasso de bilheteria que foi, nem mesmo um final ambíguo salvaria a fita do esquecimento que já se encontra.


sábado, 31 de agosto de 2013

Opinião: "Superbad - É Hoje"

Avaliação:




Título original: Superbad
Gênero: Comédia
Ano de lançamento: 2007
Direção: Greg Mottola
Elenco: Jonah Hill
            Michael Cera
            Cristopher Mintz-Plasse
            Emma Stone
            Seth Rogen

      Ah, o Ensino Médio... Quando vivemos essa fase importante da vida, aguardamos  ansiosamente o fim dos estudos para fazermos uma faculdade, conquistar a independência financeira, sair da casa dos pais, etc.  Criamos amizades, verdadeiros vínculos para uma vida toda. Vivemos amores e/ou desilusões que ficam marcadas para sempre. Passamos por aventuras, com nossos amigos, das quais nunca esqueceremos. É uma fase de autoconhecimento, amadurecimento, experiências novas, enfim, uma das melhores fases da vida.
      É nesse clima que se desenvolve "Superbad - É Hoje", longa de 2010 dirigido por Greg Mottola e produzido por Judd Apatow, responsável pelas marcantes comédias "O Virgem de 40 Anos", "Ligeiramente Grávidos" e "O Âncora". O roteiro é escrito por Evan Goldberg e Seth Rogen, que também atua no longa. Rogen, aliás, é responsável pelos roteiros de algumas outras comédias notáveis, como "Segurando as Pontas" e "O Besouro Verde", este último também protagonizado por ele. Ou seja, é um dos multifunções mais atuantes de Hollywood atualmente.
      Vamos à história: Seth (Jonah Hill) e Evan (Michael Cera) são dois amigos inseparáveis. Todos de nós temos um, ou já tivemos. É aquele amigo que não sai da sua casa, te xinga o tempo todo, faz piada de você na frente dos outros, mas mesmo assim está sempre ao seu lado te escutando e te apoiando. Enfim, os dois estão no último ano do colegial, equivalente ao ensino médio no Brasil, e são convidados a uma festa de despedida na casa da bela Jules (Emma Stone), com a condição de conseguirem levar as bebidas. Para isso, contam com a ajuda do "nerd-master" Fogell (Christopher Mintz-Plasse), um tímido garoto que descola uma identidade falsa com o nome de McLovin afim de comprar bebidas se passando por maior de idade.
      O problema começa com Fogell/McLovin sendo assaltado na loja de bebidas. A partir daí, ele parte em uma jornada pela noite da cidade com os dois policiais que atenderam à ocorrência, Michaels (Seth Rogen) e Slater (Bill Hader), enquanto seus amigos supõem que ele foi preso e tentam conseguir bebidas à sua própria maneira, se metendo em mais confusões a cada cena.
      O filme traz um novo fôlego ao gênero, com piadas rápidas e inteligentes. E embora traga um número de palavrões e conversas de cunho sexual acima do comum, esses nunca são gratuitos, já que trata da realidade de conversas masculinas adolescentes. Por esse motivo, o longa tende a agradar mais aos garotos do que às garotas.
      A energia de "Superbad - É Hoje" está na alma adolescente de seus personagens. Michael Cera interpreta o típico nerd desajeitado, tipo que voltaria a fazer no mesmo ano no razoável "Juno" e anos mais tarde no maravilhoso "Scott Pilgrim Contra o Mundo". Jonah Hill, como Seth, vive um sujeito mais descolado, menos tímido que seu amigo, mas ainda sim um nerd perseguido pelos valentões da escola. Já Cristopher Mintz-Plasse, como o impagável McLovin, é uma das melhores coisas do longa, como o maior dos nerds tímidos (com direito a figurino incomum aos adolescentes e óculos) tentando se passar por adulto ao lado dos dois policiais que só querem aproveitar a noite ao lado de seu mais novo amigo.
      Além de fazer rir, "Superbad" traz à tona um saudosismo, uma certa nostalgia de tempos outrora vividos. E, se escrevi "outrora" na frase anterior, significa que o adolescente que fui evoluiu e criou um vocabulário mais extenso. No entanto, se escrevi em um tom mais informal nos primeiros parágrafos, e se senti saudades dos bons tempos da adolescência e me identifiquei com a amizade entre os personagens, é porque esse adolescente que fui ainda está em mim, e espero que não vá embora. E é isso, essa capacidade de nos fazer rir e ao mesmo tempo de emocionar, que faz desse um belo e inesquecível filme.


segunda-feira, 1 de abril de 2013

Opinião: "Salt"

Avaliação:

Título original: Salt
Gênero: Ação
Ano de lançamento: 2010
Direção: Philip Noyce
Elenco: Angelina Jolie
           Liev Schreiber
           Chiwetel Ejiofor
           Daniel Olbrynchski

       "Salt" poderia até ser considerado um filme com temática atual se fosse lançado durante a década de 1980, no auge da Guerra Fria. A tensão entre russos e americanos naquela época era infinitamente maior do que a "amizade" dos dias de hoje. Mesmo conhecendo isso, o diretor Philip Noyce, talvez saudoso daqueles tempos, resolve criar em pleno século XXI um filme baseado em um assunto datado, já desgastado com inúmeras produções de temática semelhante.
      O longa começa com Evelyn Salt (Angelina Jolie), agente da CIA que é prisioneira na Coreia do Norte (talvez sim um assunto atual) negando veementemente ser uma espiã americana, ambiguidade que permeará toda a trama. Algum tempo após sua libertação, Salt é convocada para interrogar um desertor russo, Orlov (Daniel Olbrychski). No meio do interrogatório, Orlov conta que a agente americana é na verdade uma espiã russa que teria a missão de matar o presidente americano. Após negar o fato, a bela agente foge da CIA e inicia uma busca pelo seu marido desaparecido e a tentativa de esclarecer a "verdade"
      A direção de Philip Noyce é interessante, segurando a tensão na dúvida pela origem de Salt por boa parte da projeção. Algumas cenas de ação são boas, bem coreografadas e filmadas, mas não todas. Em alguns momentos vemos Salt pular de um caminhão para o outro sem sofrer qualquer arranhão ou até mesmo sentir dor com o impacto, isso se desconsiderarmos ainda a inércia, que a teria derrubado no primeiro salto. Há ainda certos excessos, como agentes não hesitarem em atirar em Salt mesmo vendo que ela está sobre um caminhão carregado de combustível. Temos também a câmera tremida, que impede que acompanhemos cem por cento das cenas mais movimentadas.
      O roteiro, escrito por Kurt Wimmer, que também roteirizou "Esfera", "Equilibrium" e "Ultravioleta", estabelece Salt como um Schwarzenegger de saias. O exército de um homem só é substituído competentemente pelo exército de uma mulher só. A protagonista enfrenta tiros, explosões e lutas corporais sem sequer desarrumar os cabelos, demonstrando uma segurança convincente. Mas o que compromete o roteiro é mesmo a visão unidimensional que muitos americanos têm dos russos, vendo-os como boêmios bêbados e sujos. Sempre que os vemos estão com barba por fazer, consumindo bebidas e em lugares abandonados, como o navio que serve como base de Orlov, vilão que por sua vez é retratado como um líder cruel que não hesita em matar certo personagem apenas para testar a fidelidade de Salt, algo forçado demais,inverossímil.
      A atuação de Jolie é convincente. Sua segurança e seu carisma em cena nos induzem a acreditar que ela seria mesmo capaz de tais proezas. O resto do elenco é correto, o básico para um filme de ação, com destaque para Liev Schreiber como um agente da CIA que guarda um importante segredo. Mesmo com o roteiro um pouco datado e com alguns excessos, "Salt" diverte principalmente devido à tensão e a ambiguidade dos personagens e pela força de Angelina Jolie, que assim como Tom Cruise, faz com que certas cenas de ação pareçam fáceis de fazer.


terça-feira, 19 de março de 2013

Opinião: "O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei"

Avaliação:

Título original: The Lord of The Rings: The Return of The King
Gênero: Aventura
Ano de lançamento: 2003
Direção: Peter Jackson
Elenco: Elijah Wood
             Ian McKellen
             Viggo Mortensen
             Sean Astin
             Liv Tyler
             Orlando Bloom

    Poucas são as trilogias que conseguem manter um nível de excelência em todos os seus filmes. Geralmente algo se perde no último capítulo, como na trilogia "Homem-Aranha", ou o início é insatisfatório, como na segunda trilogia de "Star Wars". Mas "O Senhor dos Anéis" é uma bela exceção. Foram três filmes, de três horas cada, absolutamente perfeitos de todos os pontos de vista.
       O terceiro longa começa mostrando a trágica história de Smeagle (Andy Serkis), ainda humano, encontrando o Um Anel e roubando-o de seu amigo. Passados alguns anos, vivenciamos a transformação dele de um humano comum na criatura que conhecemos nos longas anteriores. Frodo (Elijah Wood) e Sam (Sean Astin) continuam em sua tenebrosa jornada para a destruição do anel. Gollum os leva por um caminho tortuoso, que serve para cansar ainda mais os viajantes e aumentar a tensão entre eles. A criatura consegue afastar de vez os dois hobbits, chegando a fazer com que Frodo expulse Sam de sua presença após um incidente com os alimentos do grupo. À medida que o tempo passa, Frodo fica mais irritadiço e estressado, devido à presença do Um Anel. Seu pescoço chega a ficar ferido pela corrente que segura o artefato, evidenciando assim o peso desse fardo. Merry (Dominic Monaghan) e Pippin (Billy Boyd) são encontrados por Gandalf (Ian McKellen), e levados à Rohan.
      Traído por Gollum, Frodo é levado à toca da Laracna, aranha gigante que vive na fronteira de Mordor. É uma das cenas mais apavorantes de toda a trilogia, principalmente para mim, que tenho certa aversão a esses aracnídeos. Longe dali, a espada pertencente a Isildur, antigo rei dos humanos, é restaurada e entregue a Aragorn, para que ele lidere um exército de fantasmas amaldiçoados na luta contra as forças de Sauron.
      Mesmo com todo esse enredo, "O Retorno do Rei" não é em momento algum chato ou arrastado. Muito pelo contrário. A sensação é de que faltou tempo para tanta história, devido à velocidade que sentimos tudo passar. A direção de Peter Jackson é mais uma vez magnífica, dando atenção aos mínimos detalhes. Apesar de ter várias narrativas diferentes ocorrendo ao mesmo tempo, Jackson confere personalidade e importância a cada uma delas, sem jamais deixar uma de lado para favorecer a outra. Todos os lados da história são mostrados com a mesma intensidade. Os planos filmados pelo diretor tornam tudo ainda mais épico, desde a linda tomada aérea da cidade de Minas Tirith até o planos abertos da impressionante batalha de Pellenor, uma das melhores batalhas de todos os tempos. A montagem é magnífica, o que permite que acompanhemos o desenrolar de tudo sem perder nenhum detalhe.
     O elenco formidável dá alma à história. Elijah Wood compõe Frodo com ainda mais emoção e carga dramática, fazendo-nos sentir junto com ele o peso do Um Anel. Sean Astin interpreta Sam de forma emocionante, mostrando preocupação real com o destino que assola seu companheiro hobbit. Ian McKellen nos mostra Gandalf ainda mais imponente e senhor da situação, chegando até mesmo a burlar as regras de um líder para que a Terra-Média seja salva. E se o trio composto por Aragorn, Legolas e Gimli convence muito como os braços fortes por trás da batalha, é de um boneco digital que vem a "atuação" mais impressionante: novamente com a voz do ótimo Andy Serkis, Gollum/Smeagle é o melhor personagem de toda a série, usando de artifícios como a falsa amizade para se aproximar de Frodo e roubar-lhe o anel. É uma criatura perturbada, dependente do artefato, e brilhantemente construída durante esses três longas.
      Tudo isso sem esquecer o importante elenco secundário, que confere ainda mais riqueza à narrativa. Temos Denethor (John Noble), o regente de Gondor, como um líder louco que não pretende entregar o trono a Aragorn enquanto estiver vivo. Éowyn (Miranda Otto), sobrinha do rei Théoden, demonstra sua força de vontade desde o início, mas principalmente na batalha, onde se disfarça de homem e derrota "aquele que nenhum homem poderia derrotar". Faramir, interpretado por David Wenham, sofre por não ser amado por seu pai, e obedece sua loucura apenas para conquistar seu respeito. Não posso deixar de citar o lindo trabalho de Liv Tyler como Arwen, que toma uma dolorosa e importante escolha.
      Mais uma vez, a parte técnica de "O Senhor dos Anéis" é magnífica. Gollum está ainda mais real. Os efeitos especiais da batalha são de deixar qualquer um boquiaberto, principalmente a composição dos olifantes e do exército dos mortos. Sem deixar de comentar, claro, a terrível Laracna, apavorantemente real e assustadora. A maquiagem premiada está outra vez primorosa, compondo personagens perfeitos do ponto de vista técnico, incluindo aí hobbits, orcs, elfos, guerreiros, etc.
      A fotografia, também premiada, é mais uma vez épica. Desde o tom branco de Minas Tirith, passando pelo cinza de Osgiliath e chegando à escuridão que aumenta à medida que chegamos mais perto da Montanha da Perdição, a equipe de Jackson nos entrega um trabalho fabuloso. A mesma fotografia capaz de nos deixar tensos à caminho da destruição do Anel também nos alivia ao chegarmos ao Condado, quando avistamos as cores vibrantes, a linda grama impecavelmente verde e o céu claríssimo. Ao chegar ali, imaginamos que os habitantes do Condado nem chegaram a imaginar o que houve longe dali, dada a paz vivida por eles após todos os acontecimentos.
      Vencedor de 11 Oscars, "O Retorno do Rei" encerra a trilogia de "O Senhor dos Anéis" de forma perfeita. Impossível não viver a aventura junto com os pequeninos hobbits, ou as batalhas enfrentadas por Gandalf, Aragorn, Legolas e Gimli. Impossível não se apaixonar pelos personagens criados por J. R. R. Tolkien e trazidos fielmente à tela grande por Peter Jackson, que conseguiu transformar o antes infilmável em uma obra digna de figurar entre as melhores da História do Cinema. Como eu disse na crítica de "A Sociedade do Anel", como é bom voltar à Terra-Média. Sempre que possível, faça o mesmo. É algo revigorante, que compensa e muito nosso amor ao Cinema.


domingo, 3 de março de 2013

Opinião: "As Aventuras de Agamenon, o Repórter"

Avaliação:

Título original: As Aventuras de Agamenon, o Repórter
Gênero: Comédia
Ano de lançamento:2012
Direção:  Victor Lopes
Elenco: Hubert
            Luana Piovani
            Marcelo Adnet
            Marcelo Madureira

      "As Aventuras de Agamenon, o Repórter" é, com toda a certeza, o pior filme brasileiro que já assisti. Sei que não começo meus comentários assim, direto ao ponto, mas não tive ainda a honra de assistir algo pior feito em nosso país. O filme conta a história de Agamenon Mendes Pedreira, repórter do jornal "O Globo" que... Bem... Qual é o roteiro? Deixa eu ver se consigo extrair alguma coisa daqui... Agamenon, inicialmente interpretado por Marcelo Adnet é repórter, vai à guerra e sofre graves deformações, passando a ser interpretado por Hubert, do Casseta & Planeta. Depois disso, e antes também, é uma sucessão de piadas infames e situações vergonhosas. E é isso. Sem início convincente, sem rumo, sem um caminho a seguir.
      O filme utiliza de uma narrativa em forma de falso documentário para dar um ar de realismo. Algumas cenas são gravadas como em "Forrest Gump", onde o protagonista participa de importantes momentos na História. O documentário é apresentado por Pedro Bial em uma de suas participações mais vergonhosas em frente às câmeras (sim, superou Big Brother). A "história" do protagonista é narrada por uma das maiores atrizes nacionais de todos os tempos: Fernanda Montenegro, emprestando sua importante voz a esse projeto infame.
      No desenrolar da "história", há personagens importantes da história brasileira fazendo declarações sobre Agamenon. Mais inacreditáveis do que os dois artistas citados acima são as participações especiais de, acreditem, Fernando Henrique Cardoso e Paulo Coelho. Difícil acreditar que tais pessoas tenham lido o "roteiro" e aceitado participar desse desastre. Por mais que o cachê fosse bom, não valeria à pena manchar a sua reputação com um projeto tão infame.
      Há um sem-número de piadas sem graça, tiradas escatológicas ridículas, nomes de personagens com duplo sentido e trocadilhos vindos da década de 1990, quando o Casseta & Planeta era uma novidade. O público consumidor de humor no Brasil mudou, ficou mais exigente, e o programa de Marcelo Madureira e cia. não acompanhou essa evolução. Deveriam se espelhar na ótima turma do "Porta Dos Fundos", que faz vídeos realmente engraçados sem utilizar piadas batidas do século passado ou nomes de pessoas como Jacinto Leite Aquino Rego...
      Além das piadas sem graça, há ainda a falta de bom senso. O filme é capaz de fazer piada com a morte da princesa Diana, com os atentados de 11 de setembro de 2001 e com o terrível tsunami que assolou a Indonésia no final de 2004. Tudo isso sem um pingo de remorso ou consideração com quem sofreu tais tragédias. Sei que há o humor negro, mas esse humor utilizado no filme passa muito longe disso. Isso sem citar as importantes figuras históricas já falecidas que têm suas imagens vinculadas ao filme de maneira vergonhosa, como Albert Einstein, Sigmund Freud, Mahatma Gandhi e Orson Welles. Demonstram tanto conhecimento de cinema que mostram esse último personagem dizendo apenas uma palavra várias vezes: Rosebud, a palavra-chave de "Cidadão Kane", como se fosse a única coisa memorável dessa obra magnífica.
      Por fim, "Agamenon" é uma terrível perda de tempo. Sua curtíssima duração passa como se fossem quatro horas de filme, tamanha sua ridicularia. É extremamente cansativo. Se você está procurando uma comédia engraçada, não é aqui que vai encontrar. Não faço uso de bebidas alcoólicas, mas tenho ressaca, sim, no dia seguinte à assistir uma temeridade dessas.